Advogado de Jefferson diz no STF que Lula é ‘mandante’ do mensalão - Dono da Notícia
Advogado de Jefferson diz no STF que Lula é ‘mandante’ do mensalão   publicado em 13 / 08 / 2012
Luiz Francisco Corrêa Barbosa

O advogado Luiz Francisco Corrêa Barbosa

O advogado Luiz Francisco Corrêa Barbosa disse nesta segunda-feira (13), no púlpito do Supremo Tribunal Federal, durante o oitavo dia do julgamento do processo do mensalão, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva “ordenou” o esquema de compra de votos no Congresso. Segundo o defensor, Lula é “mandante” do esquema.

“Disse o [PGR] que, entre as quatro paredes de um palácio presidencial, estariam sendo celebradas tenebrosas transações. [...] É claro que Vossa Excelência [procurador-geral] não poderia afirmar que o presidente fosse um pateta. Que sob suas barbas isto estivesse acontecendo e ele não sabia de nada. O presidente é safo. Não só é safo como também é doutor honoris causa em algumas universidades. Mas é um pateta? É claro que não. Não só sabia como ordenou o desencadeamento de tudo isso. Sim, ele ordenou. Aqueles ministros eram apenas executivos dele. Recebida a denúncia, o PGR deixou o patrão de fora. Por que fez isso? Vossa excelência é que tem de informar”, disse o advogado, que falou por 40 minutos em defesa do cliente.

A assessoria do Instituto Lula informou que o ex-presidente não assistiu ao julgamento e não se manifestará sobre assunto. Logo após as denúncias, em agosto de 2005, Lula fez pronunciamento em rede nacional, no qual se disse “traído”. No começo de 2006, em entrevista, disse que o epísódio foi uma “facada nas costas”.

Segundo o advogado Luiz Francisco Corrêa Barbosa, “pela prova produzida [pelo Ministério Público Federal], vai gerar um festival de absolvições. O mandante está fora”.

Jefferson é o delator do esquema do mensalão. Na época, era presidente do PTB. Foi acusado pelo Ministério Público Federal de receber R$ 4,54 milhões do chamado “valerioduto” [suposto esquema operado por Marcos Valério para abastecer o mensalão] a fim de votar a favor do governo no Congresso como parte de um acordo de R$ 20 milhões entre o PT e seu partido. Foi cassado pela Câmara em 2005.

Em outro momento, o advogado voltou a questionar a ausência de Lula entre os réus do mensalão. “Como procurei demonstrar na evolução dos fatos, este tribunal recebeu a denúncia de que três ministros de estado, auxiliares do presidente, estariam pagando parlamentares para aprovar projetos de interesse desse mesmo presidente, mas o presidente ficou fora.”

Olho ‘chegou a lacrimejar’

Segundo o advogado, Jefferson procurou integrantes do governo antes de avisar ao próprio Lula sobre o esquema.

“Em reunião de líderes disse: no meu partido, isso não poderá ser feito. Se isso voltar a ocorrer, eu vou denunciar. Dirigiu-se então ao então ministro Ciro Gomes e deu ciência desse fato. Foi também ao ministro Miro Teixeira, mas isso continuava”, narrou o advogado.

Barbosa relatou então que, diante da falta de providências, procurou o próprio Lula e que o olho do ex-presidente “chegou a lacrimejar”.

“Então, ele [Jefferson] foi ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e mediante testemunhas, Walfrido dos Mares Guia, Arlindo Chinaglia, José Múcio, deu ciência ao presidente que isso acontecia e que isso iria prejudicá-lo. O olho [de Lula] chegou a lacrimejar diante dessa informação e prometeu tomar providências. O líder do PTB estava dando notícia de crime ao presidente da República”, disse o advogado.

Recursos do PT

O advogado afirmou que o PTB recebeu recursos do PT para a eleição municipal de 2004, mas que o Roberto Jefferson não sabia da origem ilícita dos recursos.

“O PT por cuja direção nacional celebrou esse ajuste para o PTB para a eleição municipal de 2004 [...], transferiu dos 20 ajustados, quatro em dinheiro. Este fato, do recebimento, é alvo de duas imputações criminosas: lavagem de dinheiro e corrupção passiva.”

“Não pode haver crime de lavagem de dinheiro sem a ciência prévia do agente recebedor de que se trata de dinheiro sujo. Quem entregou foi o Partido dos Trabalhadores, por um preposto? Sim. Mas é de supor por este fato de que há algum ilícito? Não”, argumentou o defensor.

Segundo o advogado, não é possível vincular o dinheiro recebido pelo PTB para saldar dívidas da campanha de 2004 com pagamentos em troca de apoio político. Ele destacou que a reforma da Previdência, projeto que enfrentava dificuldades para ser aprovado, só foi votado um ano depois.

“Não era possível vincular-se o que aconteceu um ano antes, na eleição municipal, com votação do projeto de lei que trata da previdência.”

G1

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