Após três semanas ocupada, UFPI pede reintegração de posse imprimir publicado em: 09 / 11 / 2016

ufpiA ocupação da reitoria da UFPI recebeu hoje (09) uma equipe da Justiça Federal para realizar inspeção no prédio. De acordo com a organização da ocupação, o juiz que visitou o local dialogou com os estudantes, e avisou que há um pedido de reintegração de posse em tramitação, feito pela administração da Universidade Federal do Piauí.

Na ocasião, os representantes da Justiça Federal pediram para marcar uma audiência de conciliação entre a reitoria e o movimento. O fato será discutido em plenária com todos os ocupantes, e um defensor público irá marcar e representar os estudantes na audiência, para evitar supostas retaliações da administração da UFPI, futuramente. Segundo o movimento, um defensor público já havia se prontificado para interceder pela ocupação.

Passadas quase três semanas, os cartazes continuam a postos na fachada da reitoria da UFPI. Os alunos seguem dormindo dentro do salão nobre do prédio, uma ampla sala de piso acarpetado e adornada com um grande painel e um anjo do mestre Dezinho em tamanho real. Ao redor da grande mesa central de reuniões, espalham-se colchões, lençóis, mochilas e estudantes dos mais variados cursos, e até de outros campi.

A aluna Letícia Borges, do curso de design de moda, comenta que o período morando juntos tem criado uma forte integração entre alunos dos mais variados cursos, que no dia-a-dia normal da universidade não têm como sequer se verem. “Está sendo um momento de fortalecimento do movimento estudantil dentro da Universidade, que esteve um pouco apagado. No início, foi o pessoal do DCE (Diretório Central dos Estudantes) que compôs o movimento, mas agora quem mantém a ocupação são os independentes, pessoal de vários cursos e vários lugares”, comentou.

Segundo ela, há estudantes da UESPI (Universidade Estadual do Piauí) e do IFPI (Instituto Federal do Piauí), ambos de Teresina, e alunos vindos de outras cidades, como Parnaíba e Picos. “Também já mandamos pessoas daqui para Parnaíba e Corrente, para ter uma unificação da luta”, disse. Nesses locais, os universitários estão organizando assembleias para decidir se aderem ou não ao movimento. “Queremos fazer uma integração regional, e já estamos em contato com outras ocupações pelo Brasil”.

Até o momento, pelo menos 500 alunos já passaram pela ocupação. No primeiro dia, cerca de 80 estudantes ocuparam a reitoria e tiveram uma primeira conversa com o reitor, prof. Arimateia Dantas Lopes, que foi transmitida ao vivo pelo Facebook. Segundo Letícia Borges, há ainda pelo menos 60 pessoas dormindo diariamente dentro da reitoria. “Já chegamos a ter mais de cem pessoas dormindo aqui”, relata.

Todos os dias são feitas assembleias sobre os rumos do movimento, além de inúmeras oficinas, palestras e rodas de debates. “Os professores têm dado muito apoio, movimentos sindicais, forças políticas, intelectuais. Alguns professores estão até movendo suas aulas pra cá”, comenta Letícia.

IFPI-Sul

A ocupação do campus Sul do Instituto Federal do Piauí (IFPI-Sul) começou no dia 24 de outubro, menos de uma semana após a ocupação da reitoria da UFPI. Mas segundo o estudante do curso de edificações André Sousa o movimento já ocorria há algum tempo. “Estávamos com dois meses realizando atividades ,debates sobre política e o que está acontecendo. No dia 24, realizamos assembleia com estudantes de vários cursos e foi deliberado pela ocupação com unanimidade. Já estávamos nos organizando, por conta do movimento nacional, com mais de mil escolas ocupadas”, disse.

Ocupação no prédio do IFPI

Ocupação no prédio do IFPI

No caso do IFPI, o reitor  Reitor Paulo Henrique Gomes esteve no dia seguinte à ocupação, afirmando que o movimento é legítimo. “Ele se posicionou numa atividade dizendo que não repassaria nomes dos alunos para o MEC (Ministério da Educação)”, disse o estudante André.

A exemplo da ocupação da reitoria, no IFPI também estão acontecendo atividades, palestras e debates com visitantes. “O IFPI não está parado, só não estão acontecendo aulas.  A gente tem que entender que o conhecimento não é restrito à sala de aula. O  movimento está proporcionando um aprendizado que não acontece dentro da sala de aula, já que a gente está aprendendo em conjunto, e não só ouvindo um professor falar e reproduzindo o que ele diz. Nós mesmos estamos produzindo conhecimento”, opina o estudante.

André comenta que durante o período normal de aulas, os estudantes não têm oportunidades de se integrar. “Durante a ocupação isso está acontecendo, por que estamos cozinhando juntos, limpando o campus juntos, e isso tem gerado essa aproximação de estudantes de diferentes cursos”, disse. Adson Lucas, aluno também do curso de edificações, comenta que a convivência gera a interação entre os alunos que não se conheciam antes. “São pessoas que não se falavam e começaram a ter essa interação, a se preocupar um com o outro, saber se já comeu, se dormiu bem”, relata.

PEC 55

Além de reivindicações locais, a principal motivação das ocupações em Teresina é a PEC 55, conhecida como PEC do Teto de Gastos, e também a MP 746, que propõe uma vasta reforma no ensino médio das escolas brasileiras. Segundo Adson Lucas, o movimento não deseja que as propostas sejam simplesmente excluídas, mas debatidas com a sociedade. “Passamos duas noites discutindo a PEC, estudando a fundo. Fizemos assembleias sobre que mudanças nós queríamos na PEC e principalmente na reforma do ensino médio. Não é que não queremos reforma, só não queremos dessa forma como estão colocando. Queremos que essa reforma seja elaborada juntamente com os estudantes e com a sociedade”, afirma.

Adson comentou a fala do presidente Michel Temer, que durante um discursos para uma plateia de empresários e executivos criticou os ocupantes, sugerindo que esses sequer sabem o que é uma PEC. “Ele está um pouco por fora né?”, disse sorrindo. “Se ele viesse aqui veria o tanto que sabemos, e a experiência que estamos tendo aqui. Posso dizer que ele ficaria surpreso”.

portalodia.com


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