Cardozo diz que História deverá pedir desculpas a Dilma Rousseff imprimir publicado em: 30 / 08 / 2016

Cardozo

O advogado de Dilma Rousseff no processo de impeachment, José Eduardo Cardozo

Em seu discurso, nesta terça-feira (30), o advogado e ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, que faz a defesa da presidente afastada, Dilma Rousseff, pediu aos favoráveis ao impedimento que não “enxovalhem” a honra da petista e disse que, caso ela seja condenada no processo, a História deverá pedir desculpas a Dilma. “Peço a Deus que algum dia, se Dilma for condenada, um novo ministro da Justiça tenha a dignidade de pedir desculpas a ela. Se ela estiver viva, se faça de corpo presente; se estiver morta, à sua filha e a seus netos. Que se peça desculpas a Dilma Rousseff, se ela vier a ser condenada; que a história faça justiça com ela; que a história absolva Dilma Rousseff.”

Após encerrar seu discurso, Cardozo deu entrevista a jornalistas e chorou. Questionado sobre o motivo de ter se emocionado, Cardozo respondeu que jamais vai perder a capacidade de se indignar diante das injustiças. “Aquele que perde a capacidade de se indignar diante da injustiça, perdeu a sua humanidade, por isso eu me emocionei.”

Cardozo disse que não são só os responsáveis pela ditadura que devem se desculpar com suas vítimas. ‘Não peguei os tempos duros da ditadura, mas vi pessoas sendo presas, violentadas, injustiçadas. O que mais me doía é quando eu tinha que pedir desculpas e a pessoa já tinha morrido, quando eu tinha que fazer uma homenagem post-mortem e via a injustiça pesando no ombro de filhos e netos em que eu pedia desculpas para efeito moral”, disse. Ele pediu aos senadores que absolvam Dilma. “Não aceitem que o nosso país sofra um golpe parlamentar e uma pessoa honesta tenha a pena de morte política para que, no futuro, alguém tenha que dizer: Me desculpe, Dilma Rousseff, pelo que a ditadura lhe fez e pelo que a nossa democracia também lhe fez. Votem, por favor, pela justiça e pela democracia”, afirmou, encerrando sua fala.

O advogado disse, em seu discurso de pouco mais de uma hora, que a petista é “injustiçada”. “Não é justo falarem o que falaram aqui de Dilma Rousseff”, afirmou Cardozo. “Querem condenar, condenem, mas não enxovalhem a honra de uma mulher digna”

“Nunca demonstraram que essa mulher enriqueceu, que desviou dinheiro para seus filhos, que fez qualquer coisa que não fosse estritamente dentro da ética”, disse o advogado.

No início de seu discurso, Cardozo lembrou da prisão de Dilma Rousseff durante a ditadura militar, fazendo comparações ao processo de impeachment.

Indiretamente, ele também respondeu à advogada Janaina Pascoal, autora do pedido de impeachment, que mais cedo, em seu discurso, chegou a chorar e dizer: “Eu peço que ela [Dilma], um dia, entenda, que eu fiz isso pensando, também, nos netos dela.”

“[Dilma] Foi brutalmente torturada. Foi atingida na sua dignidade de ser humano. E é possível que, naquele momento, alguns de seus acusadores, tomados de uma crise de sentimentalismo, tenham lhe dito: ‘Menina, nós estamos te prendendo e te torturando pelo bem do país. Nós estamos pensando nos seus filhos e nos seus netos'”, afirmou Cardozo. “Às vezes acontece assim com os acusadores, subitamente têm uma crise de consciência. Mas não conseguem com ela eliminar a injustiça do seu golpe.”

Em tom mais emocional, Cardozo encerrou a fala pedindo que os senadores absolvam Dilma. “Julguem pela democracia. Não aceitem que sofra golpe parlamentar.”

uol.com


PDF pagePrint page

PARTICIPE

PUBLICIDADE

REDE SOCIAl

PUBLICIDADE

    Physio II

últimas