Caso Makelly é o 1º julgamento por crime de homofobia no PI imprimir publicado em: 05 / 10 / 2017

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Julgamento tem duas testemunhas de defesa e duas de acusação (Foto: Lucas Marreiros/G1)

O professor Luís Augusto Nunes está sendo julgado nesta quinta-feira (5) no tribunal popular do júri, presidido pela juíza Maria Zilnar Coutinho. Segundo o promotor de justiça Ubiraci Rocha, esse é o primeiro caso a ir a júri popular por motivações homofóbicas no Piauí.

Ele é acusado de homicídio qualificado por emprego de meio cruel contra a travesti Makelly Castro, no dia 18 de julho de 2014. O corpo da vítima foi encontrado com muitos hematomas no bairro Distrito Industrial, Zona Sul de Teresina, apenas com roupas íntimas.

Segundo o promotor Ubiraci Rocha, que pede a condenação, dentre as provas de autoria do crime está a presença do carro usado pelo professor, um veículo de passeio de cor vermelha, no local onde Makelly estava na noite do crime, um ponto de prostituição. O Ministério Público acredita em crime de ódio.

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Promotor diz que há provas contundentes que confirmam autoria (Foto: Lucas Marreiros/G1)

“Tem um forte aspecto de ódio, um dos fatos importantes relacionados a isso está na oitiva de uma testemunha, que disse que a pessoa com quem ela teve contato antes a golpeou depois de não ter ereção. Isso estabelece a relação de ódio, raiva do objeto sexual. É dentro dessa linha que o MP vai trabalhar”, declarou Ubiraci.

O promotor se refere a uma outra travesti que prestou depoimento e contou que atendeu um cliente cuja descrição se assemelha às características do acusado, como um homem de estatura média, de pele escura e forte. Segundo a testemunha, o suspeito que a agrediu também estava em um carro semelhante ao usado pelo professor.

A defesa confirma o uso do carro por Luís no dia do crime. Segundo o advogado Gilberto Alves, o professor era amigo da proprietária do carro, que faleceu após o crime e lhe fornecia o veículo quando estava fora de Teresina. A acusação diz que a mulher estava viajando para Maceió na data, mas a defesa nega.

 

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Defesa afirma que o professor estava em casa no dia do crime (Foto: Lucas Marreiros/G1)

“Nossa tese é de que ele é inocente e que o MP não conseguiu sequer provar o local da morte. Não tem prova de autoria nem participação. No dia do crime, meu cliente apenas pegou o carro durante o dia, para deixar a dona do veículo para fazer compras, mas na hora do crime ele estava em casa”, declarou o advogado.

A defesa afirma ainda que o cliente está sendo vítima de preconceito, por ser negro. “Meu cliente é negro. Se há um crime em determinado local onde tem brancos, se tiver um negro, ele vai ‘pagar o pato’. Ele está pagando por ser negro. Não há uma prova. No dia desse fato, ele estava em casa e não conhecia a vítima”, disse Gilberto.

Terminado o interrogatório das testemunhas, a juíza leu a acusação para o réu e perguntou se a denúncia contra ele era verdadeira ou falsa. O acusado negou, alegando sua inocência. “A omissão de alguns depoimentos me levaram a estar mais de dois anos detido”, respondeu Nunes.

O julgamento acontece no fórum criminal de Teresina. Pela manhã, os jurados ouviram duas testemunhas de defesa e duas de acusação. No período da tarde, serão feitas as sustentações orais do promotor e do advogado de defesa, para que o júri delibere em seguida.

A promotoria acredita que o resultado do julgamento será divulgado até o início da noite.

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