Dona de bar tinha 23 empresas fantasmas; líder ostentava na rede imprimir publicado em: 02 / 08 / 2017

A investigação da Polícia Civil que levou a prisão de nove pessoas nesta quarta-feira (2 de agosto) descobriu que uma proprietária de um bar tinha 23 empresas fantasmas. O esquema fraudulento foi desvendado pela operação Fantasma liderado por mãe e filhos, presos nesta manhã.

 Mirtdams Júnior

Mirtdams Júnior

Além da mãe do líder da quadrilha, outros funcionários eram “laranjas fixos”, como o motorista dos líderes, Deodato R. de S. Neto que possui 14 empresas no seu nome. A secretária dos líderes Antônia Sandra Silva tinha sete empresas, além de Jailton S. Barros, que possui dois CPFs com 13 empresas e Gilmara M Vieira que possui 23 empresas fantasmas.

Ostentação

A Polícia Civil do Piauí  e Ministério Público destacam que Mirtdam Júnior, apontado como o ‘cabeça’ da organização criminosa, gostava de ostentar nas redes sociais.

“Nas redes sociais, o Mirtdams postava fotos de viagens em Orlando, Paris…muita ostentação. Ele era empresário, mas dessa forma, agia como o ‘cabeça’. Ele arregimentava profissionalmente muitos laranjas”, disse o promotor Plínio Fontes. 

Mirtdams foi preso em um hotel em Jericoacoara, no Ceará. Das demais prisões, seis ocorreram em Campo Maior e duas em Teresina (Jailton e Francisco Nilton).

“No final de semana, flagramos uma grande parte da  família em uma casa de Macapá, em Luís Correia. Nós filmamos, tiramos fotos. De lá, um grupo foi para Jericoacoara e Mirtdams para Campo Maior. Ontem (01), ele voltou para Jericoacoara. Eles viviam na Europa, na América Central, na América do Norte. Vivem esnobando uma vida de luxúria porque não pagavam tributos e tinha dinheiro sobrando na conta. A mulher de um deles chegava em uma loja e comrpa R$ 10 mil. Campo Maior sabia disso e como eles esnobavam sem ter condição”, disse o delegado João José.

Na operação foram apreendidos veículos de luxo e cerca de R$ 152 mil em cheques e dinheiro. O Grincot faz o levantamento do patrimônio da família e deve pedir o sequestro de bens como casa de praia e um sítio.

“Já foi autorizado a quebra de sigilo bancário deles. Todas as contas deles estão em nome de terceiros. Eles usavam cartões da irmã, de vizinhos”, explica o delegado acrescentando que há indícios de outros parentes envolvidos na fraude. As investigações apontam ainda que o pai dos irmãos e esposo de Vera, já falecido, teria iniciado o esquema criminoso.

O esquema fraudulento será comunicado para o fisco de outros estados. Os suspeitos apontados como ‘laranjas’ e intermediários estão colaborando e dois fecharam acordo de delação premiada.

“Eles admitem que venderam CNPJ outros que arregimentou uma pessoas. Já fechamos acordo de duas colaborações premiadas.A organização criminosa não trabalhava apenas para si e venderia esse esquema para empresas de outros estados. Vamos comunicar o que acontecia no Piauí para o fisco de outros estados. Em um mês, por exemplo, eles abriam dez empresas fantasmas em nomes de ‘laranjas'”, acrescenta o promotor.

A empresária Vera Lúcia de Melo de Leite, que é mãe dos irmãos suspeitos de liderar as fraudes no ICMS, é apontada pelo Grupo Interinstitucional de Combate aos Crimes Contra a Ordem Tributária – GRINCOT (MP/SEFAZ/Polícia Civil/PGE) como a “responsável” pela empresa que possui a maior inadimplência no fisco do estado – Ceralista Melo.

Ela também seria uma das ‘laranjas’ usada pelos filhos para supostamente praticarem as sonegações. Já foram constatados um prejuízo de cerca de R$ 170 milhões para o governo e a abertura de 61 empresas fantasmas.

Vera Lúcia foi uma das nove pessoas presas na Operação Fantasma que desbaratou uma quadrilha de sonegação de impostos, onde os prejuízos ao governo podem chegar a R$ 180 milhões. Seus filhos: Mirtdams Júnior, Willams de Melo e João Canuto Neto também foram presos. O operador da fraude seria supostamente o contador Francisco Nilton Barros de Morais Trindade, que também foi preso.

Veja como funcionava o esquema

De acordo com o Grincot, a organização criminosa abre empresas em nome de “laranjas” e utilizam seus CNPJs para arcar com os débitos do ICMS de suas empresas reais. Os mandados foram cumpridos em Teresina, Campo Maior (a maior parte) e Jericoacora.

Além da mãe, outros funcionários eram “laranjas fixos”, como o motorista dos líderes, Deodato R. de S. Neto que possui 14 empresas no seu nome; a secretária dos líderes Antônia Sandra Silva tinha sete empresas; além de Jailton S. Barros, que possui dois CPFs com 13 empresas e Gilmara M Vieira que possui 23 empresas em seu nome.

Segundo o fluxograma divulgado pela polícia, há ainda os nomes de pessoas que eram recrutadas e emprestavam seus CPFs para a abertura de empresas, sendo que uma delas já possui 15 estabelecimentos em seu nome e teria ganho R$ 1.200. Outros ganharam de R$ 300 a R$ 1 mil para a mesma prática.

Motorista

Ao todo foram descobertas 61 empresas fantasmas abertas no Piauí e outros estados. No nome do Deodato R. De S. Neto foram sonegados cerca de R$ 16 milhões.

“Uma das empresas fantasmas aberta no nome dele funcionava em uma sala, um espaço insuficiente para mercadorias. Ele é bem humilde e servia de motorista dos irmãos”, disse o promotor Plínio Fontes.

Os irmãos ainda não foram ouvidos. Os demais presos estão colaborando e devem fazer delação premiada.

Cidadeverde.com


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