Fabiana Saba ignora as críticas e o peso: ‘Feio é ser gordofóbico’ imprimir publicado em: 12 / 11 / 2016

sabaO verão 2016 americano foi libertador para a modelo paulistana Fabiana Saba. Fazia tempo que ela não encarava um biquíni. A última vez que colocou a minúscula peça foi antes do nascimento da primeira filha, há pouco mais de oito anos. Para o momento, Fabiana, que mede 1,76 e que não se preocupa em saber seu peso, escolheu um exemplar laranja, de lacinho.

— Naquele instante, não estava preocupada com os comentários, se minha bunda tinha celulite — conta.

Aos 38, Fabiana está de volta à indústria da moda, após mais de uma década fora do circuito. Agora, faz parte do elenco de modelos curve da agência Wilhelmina, em Nova York, onde mora com o marido, o investidor de mercado imobiliário Ralph Sutton, e as filhas Victoria, 8, e Rebecca, 6. O primeiro contato da paulistana com este universo foi aos 13, vestindo manequim 34. Dois anos mais tarde, já estava viajando para Nova York, Milão, Paris e Tóquio, trabalhando para marcas como Yohji Yamamoto, Sonia Rykiel, Comme des Garçons e Pierre Cardin. “Era uma época que não se aceitava nada de gordura”, ela recorda. “Experiente”, participou, em 1994, aos 16, do concurso The Look of the Year, ao lado de Gisele Bündchen, ficando entre as 15 finalistas. Hoje, Fabiana usa jeans 42, 44. Ela diz que está feliz, mas que não foi fácil recuperar a autoestima.

— Foi uma longa jornada. Colocava uma roupa e não entrava. A sensação era péssima. Fiquei de mal com o espelho, depois passei a não dar importância. O que foi pior. Agora estou amando a mulher que vejo. O meu corpo está bom, bonito do jeito que está. Quem disse que ele não pode ser lindo? Claro que eu não tenho barriga durinha. Mas não estou ligando. Outro dia a Rebecca me abraçou e disse que minha barriga era tão confortável… — relembra.

‘FIQUEI COM VERGONHA’

Fabiana assinou contrato com a nova agência em junho, após um encontro com a amiga — e também modelo — Vanessa Greca, numa festinha infantil:

— Sempre nos encontrávamos, mas ela só sugeriu que eu retomasse a carreira este ano. Falou da categoria curve, que fica entre o plus size e o padrão tradicional. Ela enalteceu a minha silhueta, a minha beleza. Mas eu não me enxergava assim. Fiquei com vergonha, estava me redescobrindo. A Vanessa mandou um e-mail para o seu agente na Wilhelmina e nos apresentou na sequência.

Este ensaio de capa foi um dos primeiros trabalhos de Fabiana nesta sua nova fase. Os cliques foram realizados em seu apartamento, em Manhattan:

— Adoraria fazer os grandes desfiles novamente, mostrar que o look cai bem em qualquer tipo de corpo, que o importante é a atitude. Se fosse no Brasil, melhor ainda. As pessoas querem se sentir representadas.

Fabiana SabaFabiana é uma dessas modelos que fez fama na televisão, comandando programas no comecinho dos anos 2000 na RedeTV!. Aliás, ela trocou as passarelas pelos palcos e pelo microfone quando percebeu que estava engordando:

— Pediram para eu emagrecer, fazer dieta. Mas eu não quis. Lembro do bullying que sofria no colégio. Nunca gostei de ser muito magra. E eu também gostava de comer. Mas acabei largando a TV por amor.

A modelo e o marido estão firmes desde o fim de 2002 — eles chegaram a engatar um namoro em 1999, mas terminaram em 2001, voltando um ano depois. Ela entrega que o relacionamento deu uma guinada recentemente:

— Ao recuperar a minha autoestima, tudo melhorou. Antes, me sentia atacada por qualquer coisa que o Ralph dizia. Ele não podia dar um palpite no meu visual. Eu estava sempre na defensiva. Nossa vida mudou.

MAIS AMOR NAS REDES

Durante a conversa, Fabiana comentou que está interessada em discutir a questão do empoderamento feminino nas redes sociais, quer publicar o que é real. Ela reclama das pessoas que postam apenas fotos perfeitas no Instagram.

— Temos que ser as mais verdadeiras possíveis, apoiar umas às outras. É importante ter cuidado com os comentários. Nossas palavras podem ferir alguém, mais do que imaginamos. Ao invés de julgar quem é gorda, magra, com manchas e celulite, vamos nos colocar para cima, lembrar que unidas somos mais fortes — discursa.

Fabiana enumera alguns ataques que sofreu nas redes. Dia desses, foi criticada por usar um shortinho:

— Falaram assim: “Não adianta esconder a idade, dá para ver pelo joelho”. E escrevem coisas piores na minha página no Insta. Mas não é feio ser gordo. Feio é ser gordofóbico.

Fora do universo virtual, Fabiana ouviu “sugestões” de gente da moda para perder peso:

— Recebi “elogios” de estilistas e blogueiras: “Seu rosto está incrível. Você está linda… A hora que você secar vai ficar o máximo. Mas acho que eu estou bem. Faço ginástica normalmente, estou saudável. Ficar magra não é a minha prioridade. Meu marido, por exemplo, adora correr. Ele acorda todos os dias 5h30 da manhã para se exercitar. Malho o suficiente para ter saúde. Antes, eu chorava com as críticas. Agora, é diferente. Não fico mais magoada com esses comentários ruins. Estou bem comigo mesma.


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