“Impunidade”, diz família de Iarla sobre soltura de acusado imprimir publicado em: 06 / 02 / 2018

familiaVestindo uma camisa estampada com a frase “Eu escolho Deus”, o primo de Iarla Barbosa Lima, Jordy Mesquita, esteve nesta terça-feira (6) no Tribunal de Justiça e desabafou sobre o sentimento da família da jovem diante da revogação da prisão preventiva do acusado de matar a estudante.

O familiar de Iarla conta que todos os parentes e amigos da vítima estão abalados com a decisão da soltura do ex-tenente do Exército José Ricardo da Silva Neto, 22 anos. Mas a dor mais forte está sendo sentida pela professora Dulcinéia Barbosa e por Ilana Barbosa, mãe e irmã de Iarla. Ilana estava com a irmã no dia do assassinato e também foi baleada.

“A mãe e a irmã estão com uma sensação de desespero. A dona Dulcinéia chora e fala que não sabe o que vai fazer da vida dela”, conta Jordy.

O primo de Iarla conta, ainda, que a sensação de impunidade é forte após a soltura de ex-tenente José Ricardo da Silva Neto.

“É muita tristeza, dor, angústia, impunidade e revolta. É impossível uma pessoa fazer o que fez e ainda ficar solta”, lamenta Jordy, que está otimista que a Justiça seja favorável ao recurso que será interposto ainda hoje pelo Ministério Público contra a revogação da prisão do acusado.

Famílias se unem

Jordy e o pai da estudante Camilla Abreu, também vítima de feminicídio, estão articulando um ato em protesto contra a soltura do ex-tenente José Ricardo.

O pai de Camila Abreu entrou em contato com os familiares de Iarla e disse que está “revoltado” com a liberdade do acusado. “Ele disse que nossa dor é igual. Estamos pensando em um protesto. Não vamos desistir de lutar”, adianta Jordy.

Acusado é réu confesso

O acusado já confessou o assassinato e alegou que o crime foi motivado por ciúmes. O feminicídio foi praticado quando o ex-tenente e sua então namorada Iarla saiam de um bar localizado na zona Leste de Teresina.

“O tenente confessou o crime. Ele relatou que estava na festa com as meninas e decidiu ir embora porque não estava se sentindo bem. Dentro do carro, ele disse à Iarla que não era bobo e que viu ela dançando como amigos”, contou o delegado Francisco Baretta, coordenador da Delegacia de Homicídios, que investigou o caso.

Ainda segundo o inquérito, o tenente ficou transtornado, pegou sua pistola que estava escondida embaixo do banco do carro e atirou contra Iarla. Ao todo, foram quatro disparos. O primeiro atingiu a mão da vítima, que significa que ela tentou reagir, e os outros dois atingiram o abdômen e o quarto no ombro. Em seguida, Ailana e Joseane, uma amiga de Iarla, saíram correndo do veículo. Também foram efetuados disparos contra elas, que foram atingidas por tiro de raspão.

 

Cidadeverde.com


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