Jesus, Paulinho… Tite ‘fabrica’ meia seleção e iria à Copa sem Dunga imprimir publicado em: 11 / 10 / 2017

TiteTite não gosta de puxar para si o mérito da excelente campanha do Brasil nas Eliminatórias e a consequente classificação tranquila para a Copa do Mundo da Rússia. O treinador que chegou à CBF com o time fora da zona de acesso para 2018 insiste em dizer que o status atual é fruto de um trabalho de Dunga e até Felipão. Alguns números, no entanto, reforçam que a seleção que chega em alta para a Copa foi forjada pelas mãos do técnico atual.

Em uma primeira análise, a tabela mostra o trabalho de Tite. Em 12 jogos, foram 32 pontos – dez vitórias e dois empates. Somente com essa campanha, excluindo-se os nove pontos conquistados com Dunga, já era possível ir à Rússia sem sustos, como líder da acirrada disputa na América do Sul.

Em uma segunda observação, agora tomando como base as peças que comandaram essa campanha, Tite e sua comissão técnica seguem como protagonistas.

Cinco dos dez jogadores de linha do time-base atual do Brasil foram resgatados ou se consolidaram no último ano, sob nova direção.

Reserva com Dunga, Marquinhos foi bancado logo na estreia de Tite, contra o Equador, e não saiu mais da zaga. Na esquerda, o esquecido Marcelo voltou e mostrou por que é um dos melhores laterais dos últimos tempos.

Mais à frente, Philippe Coutinho viu toda a expectativa criada sobre si virar realidade. “Mágico”, como Tite gosta de frisar, o meia do Liverpool se tornou o grande articulador de jogadas e válvula de escape em momentos difíceis dos últimos 12 jogos.

E duas apostas do treinador mostraram com números – e gols – que Tite estava certo. Ignorado por Dunga, Paulinho foi uma das maiores armas. Além de dar conta da marcação, aparecia no ataque na hora certa, marcando o mesmo número de gols de Neymar nas Eliminatórias: 6.

Surpresa logo na primeira lista, a joia Gabriel Jesus foi lapidada aos poucos. Os sete gols e a artilharia do time nas Eliminatórias o colocam como uma das principais armas do time atual.

“Coutinho evoluiu, Marcelo retomou um padrão, não era convocado. Talvez tenha sido mérito meu”, disse, rapidamente, um contido Tite. “Gabriel Jesus não tinha como convocarem antes, explodiu depois. Palmeiras que me deu esse legado. Eu estou colhendo fruto de outros técnicos também”, frisou, tentando dividir os louros.

“Legado não só do Dunga, mas do Felipe [Scolari] também. Dani é daquela formação, Thiago [Silva] também, Fernandinho. Quando não tenho tempo longo, acabo trazendo esse legado. Paulinho fez uma grande Copa das Confederações em 2013 e a gente retomou. A queda é normal, mas a gente retoma o processo”, completou Tite, que citava os antecessores em quase todas as entrevistas.

Os “remanescentes” da era Dunga se dividem. Após o jogo da última terça, Miranda e Willian, por exemplo fizeram questão de valorizar o ex-treinador.

“Não podemos desmerecer o trabalho do Dunga, às vezes as coisas não dão certo dentro de campo. O Tite chegou e conseguiu trazer ideias, um gestor de pessoas. Sabe gerir bem o grupo, conseguimos dar uma volta por cima incrível, você vê a mentalidade de todos os jogadores”, analisou Willian.

“O Tite fez um bom trabalho, mas a gente não pode descartar os pontos que a gente conquistou antes. Isso aqui é um grupo de vencedores, todos que estão aqui, estão pra ganhar. A gente enfrentou momentos de dificuldade e isso é aprendizado”, endossou Miranda.

Já Daniel Alves ressaltou o novo comandante. “Hoje no Brasil o Tite está muito distante de todos os treinadores por causa da forma de entender as pessoas, mas eu acredito que temos um respeito grande, porque a gente não fez o que precisava para mudar. Mas a vida e o futebol são contínuos. O espírito, os atletas e é mérito exclusivo do Tite”.

Apesar do sucesso, a “cara” da seleção ainda não é exatamente a desejada por Tite. E o tempo é curto até a Copa. “Pessoal fala, mas quando olho e lembro, foram apenas 15 jogos [amistosos com Colômbia, Austrália e Argentina]. É pouco. Tenho de aproveitar o máximo. E agora temos mais alguns até a Copa. Vamos procurar otimizar isso”.

Procurando “consolidar” o time para o Mundial, Tite terá mais seis ou sete jogos até a estreia em junho de 2018. Serão amistosos contra Japão, Inglaterra, Rússia e Alemanha até a divulgação da lista de convocados, além de mais dois ou três já na preparação às vésperas do torneio.

uol.com


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