Jon Jones diz que troca de rival atrapalhou: “Teria batido muito em DC” imprimir publicado em: 24 / 04 / 2016

Jon JonesAs expectativas para o retorno de Jon Jones após 15 meses afastado do octógono eram tão grandes que sua atuação dominante contra Ovince St-Preux na madrugada de domingo, no UFC 197 em Las Vegas, acabou decepcionando os fãs e recebendo até algumas vaias de parte da plateia. O desempenho aquém de seu potencial foi compreensível com a “montanha russa” em que se transformou a vida de “Bones” no último ano, lidando com repetidos problemas com a Justiça americana, mas o campeão interino dos meio-pesados garantiu que sua atuação não teve nada de “ferrugem” ou nervosismo. Sua justificativa: não teve tempo o bastante para se preparar para um adversário completamente diferente que Daniel Cormier, atual campeão linear e seu oponente original no card, até se lesionar três semanas antes da luta.

– Acho que foi mais a mudança de oponentes. Se você segue minha carreira, sabe o quanto eu gosto de estudar. Eu estudo demais, eu e meu time, por isso que entro tão confiante nas lutas, pois sei o que estou enfrentando. Hoje, Ovince jogou algo completamente diferente do que eu estava me preparando. Eu estava atacando, não tanto quanto eu queria. Meu cardio estava ótimo, não senti nenhum nervosismo. Estava apenas hesitante. Foi a mudança de oponente – argumentou Jones na coletiva de imprensa pós-evento.

O campeão interino vem se preparando para uma revanche com Cormier, a quem derrotou em janeiro de 2015, desde que foi readmitido pelo UFC em seu elenco, em outubro passado. Por isso, garantiu que, estivesse seu arquirrival do outro lado do cage, teria uma atuação completamente diferente e mais próxima do que se espera do homem considerado por muitos o melhor lutador em atividade no mundo atualmente.

– Eu teria batido nele muito bem, pois estou afinado para enfrentar Daniel Cormier. Minhas técnicas, minhas ideias, estou me preparando para enfrentar o Cormier nos últimos sete meses. Estava me preparando para enfrentar outro lutador, e me deram um nocauteador canhoto, completamente diferente. Eu estou pronto para derrotar Daniel Cormier, e vou mostrar isso. Sinto que melhorei muito, vocês vão ver isso quando eu enfrentar DC. Venho trabalhando demais para vencer DC, e vocês verão isso. Quero destroçar DC, estou pronto para vencê-lo no wrestling, acho que vou bater muito nele.

E Jon Jones não perdeu tempo em começar a promover a revanche com o desafeto. Ao sair do cage, ele fez um gesto obsceno para o atual campeão linear, que se encontrava sentado na mesa de transmissão do evento. Os dois devem se encontrar no UFC 200, em 9 de julho, caso Cormier seja liberado pelo médico em consulta nesta semana.

– Mandei o dedo para Daniel ao sair do octógono, me senti ótimo! Isso cria burburinho, deixa as pessoas prontas para a luta. Eu e Daniel não nos gostamos, mantivemos um ao outro na nossa vista, tivemos um pequeno desvio no caminho, mas ainda vamos nos enfrentar. Não teve muita emoção envolvida, foi só para fazer as pessoas comentarem e esperarem de novo a luta – explicou Jones.

Autocrítica após a luta

– Sinto-me muito diferente (do que sentia imediatamente após a luta). Sou meu maior crítico. Lá dentro, estava vendo todo tipo de abertura, mas simplesmente não estava apertando o gatilho em pelo menos 50% ou 60% deles. Só estava acertando as mais óbvias. Pensando em boxe, estava pensando, “Não seja pego com uma bomba! Seja esperto!” Estava muito hesitante. Estou muito grato por tudo, mas ainda estou um pouco decepcionado. Sei que há um nível muito mais alto em mim. Não gosto de enfrentar gente com pouco tempo de aviso, e pegar um cara canhoto que bate pesado como ele… Eu estava bem preparado para Daniel Cormier. Não vou ficar muito decepcionado, pois acho que vou me sair bem quando enfrentar o estilo para o qual me preparei nos últimos sete meses.

Lesões na luta

– Me sinto ótimo para lutar no UFC 200, com certeza. Depois da luta, minha canela esquerda está inchada, meu pé esquerdo estava inchado, e, quando baixou a adrenalina, senti dor, então sentei na cadeira de rodas, mas uma vez que botei um tênis, comecei a andar bem perto do normal. Assim que chegar na quarta para treinar, estarei bem de novo.

Disputa por título de “melhor peso por peso” com Demetrious Johnson

-Demetrious Johnson é um atleta tremendo. Eu realmente não me comparo a outros lutadores. Não me comparo financeiramente, em poder de estrela, nada. Sinto que sou famoso o bastante, e isso vai ser sempre um argumento a se debater. Eu bati oito a nove campeões mundiais, ninguém faz isso neste esporte. Estou muito confiante no que fiz neste esporte, e há espaço para muitas pessoas serem estrelas aqui. Algumas pessoas vão defender a mim, outras Demetrious, outras Conor (McGregor). Todos somos estrelas, e há espaço para todos nós sermos estrelas. Não me incomodo em dividir esse debate com Demetrious Johnson, ele é inacreditável.

Espaço para evoluir

– Não sinto que atingi meu auge, acabei de contratar um técnico de jiu-jítsu para complementar o trabalho do Greg Jackson, o Roberto Tussa da Gracie Barra, é um treinador incrível de jiu-jítsu. Apesar de não concluir uma finalização, me senti muito mais confortável no solo hoje. Tenho treinadores novos de força e condicionamento. Estou num nível muito mais alto agora.

Cinturão interino

– É legal, é bonito e brilhante. Mas me vejo como um campeão de verdade. Perdi o cinturão e estou numa jornada para recuperá-lo. Este cinturão me faz me sentir bem, tirei fotos com ele, mas não tem satisfação, não tem um “momento do gol”, de comemoração. Estamos numa missão, esse negócio é meio inventado, meio falso.

Cautela e vaias

– Algo que notei nesta luta é que tinha um nível de relaxamento lá dentro, vivendo no momento e aproveitando. “Sim, estou ganhando todos os rounds, sendo vaiado pela primeira vez, mas estou ganhando”. Ovince bate pesado, tem risco de nocaute, e eu estava pensando, “não posso perder para Ovince. Você tem que enfrentar DC, Jon! Mesmo parecendo lixo agora, eu tenho que vencer para pegar o DC.” Essa era minha mentalidade. Não tinha sentido trocar bombas com um cara como esse, que tem poder de nocaute incrível, golpeia de ângulos incríveis. Quando eu estava sendo vaiado, pensei, “estou perseguindo esse cara. Ele que está circulando”, então pensei, “talvez essas vaias não sejam para mim”. Talvez os fãs estão acostumados a me ver fazer coisas empolgantes, e esperavam mais.

Redenção pelo UFC 151

– Isso meio que nos deixa quites. Ouço fãs até hoje dizendo, “Eu gastei dinheiro, passagens, tudo pra te ver pela primeira vez”, chateei muita gente. Eu sempre me senti sincero e justo com minha equipe, pois nunca fazemos isso, mas sempre tinha um pouco de culpa por ter estragado os planos de pessoas que se sacrificaram. Então lutar desta vez me fez sentir que salvei o dia para muitos dos meus fãs e fiz algo positivo por eles. Sabia que era um grande risco enfrentar um nocauteador canhoto para o qual não me preparei, mas fiz isso por eles.


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