“Justiça” oferece forma e conteúdo poucas vezes vistos na televisão imprimir publicado em: 23 / 08 / 2016

JustiçaUm crime passional é a primeira história apresentada na minissérie “Justiça”, que a Globo estreou nesta segunda-feira (22/08). O fato gerador da trama é o assassinato da jovem Isabela (Marina Ruy Barbosa) pelo namorado, Vicente (Jesuíta Barbosa). “Justiça” não trata do tema pelo viés da lei. Vai além: a minissérie aborda a questão sob a ótica subjetiva, não contemplada pela lógica da “lei dos homens”.

Vicente cumpriu a sua pena (sete anos). Porém, para a mãe da vítima, Elisa (Débora Bloch), a justiça seria realmente feita se ele tivesse o mesmo destino da filha: a morte. Elisa é questionada: “você quer vingança, não quer justiça!” O ápice é quando Elisa, sedenta por “justiça pelas próprias mãos”, se depara com Vicente em meio a uma família que ela desconhecia. Durante os sete anos preso, ele refez sua vida, agora tem mulher e uma filha.

Esta é a primeira de quatro histórias que a Globo apresenta durante cinco semanas, sendo que cada dia da semana (com exceção das quartas-feiras) é dedicado a uma delas. O drama de Elisa (às segundas) tem continuidade na semana que vem. Terça é o dia de Fátima (Adriana Esteves) – não por acaso, a empregada de Elisa.

“Justiça” cruza os personagens de tramas diferentes. Fátima apareceu rapidamente nessa segunda-feira, tem sua trama desenvolvida às terças, mas poderá dar o ar da graça às quintas e sextas. A cena em que Fátima aparece na sala de Elisa (fica sabendo pela televisão de um incidente no trabalho de seu marido) é vista pelo telespectador novamente na terça, porque também faz parte da história da doméstica. Mas é vista sob o ângulo de sua personagem e no que esse fato isolado lhe afeta, dentro de sua história.

“Justiça” oferece ao público forma e conteúdo, se não inéditos, poucas vezes vistos na TV aberta brasileira – o roteiro é assinado por Manuela Dias (de “Ligações Perigosas”). A abordagem é realista – Recife é o cenário principal e une todas as histórias. A câmera persegue os atores, a luz e as tomadas são cinematográficas. A direção artística é de José Luiz Villamarim, consagrado por trabalhos como “Amores Roubados”, “Avenida Brasil”, “O Canto da Sereia”, “O Rebu” e outros.

Mas o ponto alto é mesmo a interpretação dos atores. Villamarim afirmou em entrevista que a escalação do elenco com grandes nomes foi proposital. Afinal, o texto requer estofo de seus intérpretes. Nesse primeiro episódio, vimos grandes atuações de Jesuíta Barbosa, Débora Bloch e Marina Ruy Barbosa, intensos e completamente entregues aos seus personagens, tão humanos quanto complexos. Condizentes com a proposta da minissérie.

Numa ação inédita, a Globo Play (plataforma on demand) já disponibilizou a primeira semana inteira de “Justiça” antes de passar na televisão. Nessa terça-feira, tem show de interpretação de Adriana Esteves, num episódio tão bom quanto o primeiro.


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