Justiça volta a ouvir testemunhas de acusação contra mentor de estupro imprimir publicado em: 12 / 09 / 2016

adao

Suspeito alega que não tem envolvimento no estupro coletivo

A audiência de instrução do processo contra Adão José Silva Sousa, 42 anos, apontado pela Polícia Civil e Ministério Público Estadual como sendo o mentor do estupro coletivo contra quatro garotas ocorrido em Castelo do Piauí, acontece nesta segunda-feira (12). Uma primeira sessão havia sido realizada em julho, mas foi suspensa após o defensor público Arilson Pereira Malaquias alega que o réu não havia sido requisitado para participar dos depoimentos.

De acordo com o juiz Leonardo Brasileiro, além do réu, mais de 10 pessoas devem ser ouvidas durante a audiência. Na sessão passada, as três vítimas foram ouvidas. O teor dos depoimentos não foi revelado.

O crime ocorreu em maio do ano passado. Além de Adão, quatro adolescentes foram apontados pela polícia e Ministério Público por participação nos abusos e espancamentos contra quatro garotas. Um dos menores foi morto dentro do alojamento quando já cumpria medida socioeducativa.

Segundo o defensor público, Adão sequer foi chamado para a instrução processual. “Ele não foi requisitado para ir à comarca. O réu deveria ter sido chamado, mesmo que não permanecesse na sala onde as testemunhas estavam sendo ouvidas, pois durante os depoimentos há a necessidade do defensor conversar com o acusado e como Adão não estava presente, eu solicitei a suspensão da audiência”, falou Arilson Malaquias na época em que a primeira audiência foi suspensa.

Acusado se diz inocente
Adão José está preso e alega inocência, afirma ainda  que nem estava na cidade no dia do crime.

“Não sei por que citaram o meu nome e até hoje não sei por que a Justiça não encontrou o verdadeiro culpado. As meninas sabem a verdade, sabem quem encostou nelas. Eu não fiz essa barbaridade, não sou estuprador, nunca obriguei ninguém a ter nada (relação sexual) comigo”, falou.

Além dele, quatro adolescentes, já condenados a cumprir medida socioeducativa, foram citados pela polícia e MP por estuprar, agredir e arremessar do alto de um penhasco de cerca de 10 metros de altura quatro amigas que fotografavam no Morro do Garrote, ponto turístico da região. Uma das meninas não resistiu aos graves ferimentos e morreu.

Em sua defesa, Adão diz que no dia 27 de maio estava em Campo Maior, cidade distante de Castelo cerca de 100 km. Ele confessa, no entanto, que foi para lá fugindo da polícia por ter assaltado e baleado a gerente de um posto de combustível. O assalto ocorreu numa sexta-feira, 22 de maio, cinco dias antes do estupro coletivo.

“Fugi pela linha do trem no sábado, umas 18h. Andei pela mata e peguei carona com um mototaxi e na segunda-feira cheguei em Campo Maior. Eu não estava em Castelo no dia desse estupro, não conhecia essas meninas. Nunca vi essas meninas. Eu tenho testemunhas pra dizer que eu estava em Campo Maior”, contou.

Quando Adão foi preso, os policiais encontraram na casa dos pais dele uma bermuda com vestígios semelhantes a sangue e esperma. O material foi submetido a exames de DNA e, segundo o delegado Laércio Evangelista, que acompanhou o caso, os laudos comprovaram que Adão e dois dos quatro menores, participaram do estupro coletivo contra as garotas.

A polícia também ouviu testemunhas que afirmaram ter visto Adão em Castelo horas após o crime. De acordo com ele, provas técnicas e os depoimentos foram suficientes para a condenação de todos os investigados.

Condenado em outros processos
Essa não é a primeira vez que Adão experimenta a reclusão. Natural de Castelo do Piauí, ele foi embora para São Paulo em busca de trabalho no início da década de 1990, quando era adolescente. Foi no estado paulista que deu início o seu enredo pelo mundo do crime.

O primeiro processo veio em 2002, quando foi preso por tráfico de drogas e condenado pela Justiça a cumprir três anos em regime fechado. Na sequência, logo após o cumprimento da pena em 2005, ele foi novamente detido, desta vez por porte ilegal de arma. Adão cumpria a sentença no regime semiaberto quando voltou a ser preso por tráfico. Reincidente, ele pegou uma pena maior: 10 anos, 10 meses e 21 dias de reclusão em regime fechado.

Adão deixou o sistema carcerário em 2013 para cumprir o restante da pena no semiaberto domiciliar, mas se ausentou de São Paulo sem autorização e estava sendo considerado foragido da Justiça quando veio para o Piauí. Ele estava há pouco menos de dois meses em Castelo quando aconteceu a barbárie.

Portaldaclube


PDF pagePrint page

PARTICIPE

PUBLICIDADE

REDE SOCIAl

PUBLICIDADE

    Vale

últimas