Micale pede respeito a Neymar e teme que ele abandonem a seleção imprimir publicado em: 09 / 08 / 2016

micaleNa véspera da partida decisiva contra a Dinamarca, em Salvador, às 22h (de Brasília) desta quarta-feira, o técnico Rogério Micale saiu em defesa de Neymar e usou o exemplo do craque para fazer uma série de alertas ao futebol brasileiro.

Sob clima pesado por conta dos dois empates sem gols, contra África do Sul e Iraque, da ameaça real de eliminação precoce na Olimpíada em casa e das vaias agressivas da torcida de Brasília nas rodadas iniciais, Micale criticou a repercussão sobre atitudes pessoais de Neymar, como a decisão de não dar entrevistas, e disse que os melhores jogadores da atual geração podem seguir o exemplo de Lionel Messi – que, segundo a imprensa local, já voltou atrás de sua intenção de não jogar mais pela Argentina – e desistir de defender a seleção brasileira.

– Se não analisarmos friamente, não tivermos uma transição dos craques, não o respeitarmos, logo eles não vão querer estar conosco. O Neymar quis estar na Olimpíada, e volto a dizer: ele assumiu uma situação e é muito cobrado por isso com 24 anos. São fatos para refletir.

neymarLeia abaixo tudo o que Micale falou sobre Neymar:

– Enquanto ficarmos preocupados com tarjas de capitão, comportamentos pessoais, situações internas de relacionamento, e não abrirmos discussão para realmente entender o que está acontecendo no futebol brasileiro, no setor tático, comportamental, vamos continuar na mesmice. Queremos achar culpados, isso é um grande mal. Para avançarmos em algo melhor para o nosso futebol, a discussão deveria ser mais aprofundada, e não tão superficial em pontos que não agregam nada em situações de jogo. Perdemos muito tempo com isso. Temos que parar de achar vilões. Fizemos isso com Bernard na Copa do Mundo, o Rafael na última Olimpíada, sempre buscamos vilões e muitas vezes estancamos um potencial de avanço num futuro próximo. A Alemanha levou 12 anos para chegar onde chegou, mas nós queremos chegar lá com seis meses, não queremos passar por 11 anos e meio de preparação. Estamos lidando com jovens, se continuarmos matando, vamos colher a mesma coisa que estamos colhendo há anos.

O treinador também falou sobre a comparação feita entre Neymar e Marta, camisa 10 e principal jogadora da seleção feminina de futebol do Brasil, e sobre o garotinho do Rio de Janeiro que riscou o nome do jogador de sua camisa para escrever o da atleta:

– São dois talentos do futebol brasileiro. Em relação ao Neymar, é um jovem de 24 anos que não atingiu ainda maturidade total, vai atingir. De uma forma geral, aos 28 anos o jogador chega ao ápice como atleta, homem, física e mentalmente. Ele já tem de lidar com a pressão de ser um líder, um expoente, desde 17, 18 anos de idade. A geração que lhe daria suporte não se firmou. A Marta está com quantos anos? 31 anos… Podemos dizer que a Marta é uma jogadora sensacional, tem todo nosso reconhecimento, mas o Neymar tem o meu reconhecimento como futuro melhor do mundo, ele vai ser, e nós precisamos respeitar o Neymar. Ele é jovem. Sei que em alguns momentos age de uma forma que não queremos, mas na idade dele, não faríamos as mesmas coisas, tendo o que ele tem? Não está fácil a situação que envolve o imediatismo que com nossos jovens jogadores, isso me preocupa como formador, como alguém que trabalha com jovens há alguns anos. Estamos sendo implacáveis, essa conta vai cobrar um preço.

Mudanças na equipe

Para enfrentar a Dinamarca, Micale admitiu que procura alternativas. Uma das principais alternativas é a entrada de Luan no lugar de Felipe Anderson, substituição feita durante toda a fase de preparação, mas que não prosperou em momento algum durante os jogos.

– Temos um modelo de jogo com variações, é normal fazer, já aconteceu em dois jogos. Tentamos variações, mas não podemos mudar conceitos sem treinamentos. Ele existe, treinamos em nossa preparação e não é porque não conseguimos a vitória que vamos mudar tudo, em termos de conceito. Isso traria mais prejuízos do que benefícios à equipe. O conceito traz o resultado. Se abrir mão dele, abre mão de uma forma de jogar. Se entrar de uma forma aleatória em campo, a probabilidade é maior da coisa não acontecer.

O treinador também disse que já sabe quem será o substituto do volante Thiago Maia, suspenso, mas não revelou. Rodrigo Dourado, o favorito, e Walace disputam a posição.

De baiano para baianos

Nascido em Salvador, Micale, que se firmou no futebol como jogador e técnico na região Sul do país, aproveitou o fim da entrevista para fazer um apelo aos conterrâneos.

– Como farei meu primeiro jogo em Salvador, o mais importante da minha carreira, e como sou baiano de Salvador, gostaria que meu povo abraçasse a Seleção, demonstrasse felicidade. Eu tenho orgulho de ser baiano, apesar de ter vivido pouco tempo aqui. Gostaria que nosso povo nos abraçasse e começássemos aqui uma arrancada rumo a um sonho de todo brasileiro. Precisamos muito da ajuda da torcida – disse Micale, antes de deixar a sala.

Renato Augusto, que esteve ao seu lado durante toda a entrevista, também lembrou o fato de ter feito seu primeiro gol pela seleção brasileira justamente na Fonte Nova, pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2018, em novembro do ano passado, na vitória por 3 a 0 sobre o Peru.

– É uma torcida que apoia muito, que vai fazer diferença. Não tenho dúvida que estarão do nosso lado. Com eles juntos, com certeza seremos bem mais fortes.

Com dois pontos, o Brasil precisa vencer a Dinamarca – líder do grupo com quatro pontos – para não depender do resultado de Iraque e África do Sul, que também será às 22h, em São Paulo.

globoesporte.com


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