Mortes em presídios mostram afronta do “tribunal do crime” no PI imprimir publicado em: 03 / 02 / 2017

Dezesseis assassinatos no ano passado, três já neste ano de 2017, o “tribunal do crime” que sentencia e executa mortes dentro dos presídios do Piauí, mudou seu modo de atuação e está afrontado o Estado. A denúncia é do sindicalista Kleiton Holanda, vice presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários, ao constatar o terceiro enforcamento registrado este ano dentro da Casa de Custódia de Teresina.

presidioO enfrentamento de bandidos contra o aparelho de segurança prisional chegou ao extremo. O desafio é tanto que preso chega a se passar por outro, que acaba de ganhar direito a liberdade, e sai caminhando pela porta da frente, como se tivesse sido beneficiado com a determinação judicial.

“As mortes dentro dos presídios acontecem agora é por enforcamento. E quando a ordem é dada, mata agora, eles não querem nem saber; matam e pronto. Até na presença de policiais, como ocorreu com aquele que foi enforcado dentro da viatura ao ser transferido para a Vereda Grande”, alerta Kleiton Holanda.

A denúncia do sindicalista acontece poucas horas depois do preso Itallo Messias Araújo Carvalho ter sido encontrado enforcado, na madrugada desta sexta-feira (03/02), em uma cela do pavilhão H da Casa de Custódia. Itallo cumpria pena pelos crimes de assalto e tráfico de drogas. Três suspeitos pela morte dele foram interrogados pelo delegado Francisco das Chagas Costa, o “Baretta”, na Delegacia de Homicídios.

A ousadia do “tribunal do crime”

A “lei” (as regras) de quem vive no submundo do crime é dura, na maioria das vezes, a pena máxima sempre é executada, e é pena de morte. Mas a decisão é colegiada. Os julgadores são os próprios bandidos, que não respeitam nem a situação de estar encarcerado.

O “tribunal do crime” cumpre todas as etapas de um julgamento normal, com réus, vítimas, testemunhas e julgadores. A diferença é que os relatores e “juízes” do julgamento sumário são detentos, que sentenciam outros presos, e até pessoas que estão em liberdade, à morte, espancamento ou absolvição, por atos considerados ilegais dentro do mundo do crime.

O veredito do “tribunal do crime” nunca sai sem o “réu” ter direito a chamada ampla defesa e contraditório. Tudo dentro dos próprios presídios. Bilhetinhos e mensagens, através de celulares, circulam nos pavilhões, com direito a votação dos presidiários. A pergunta entre eles é tradicional: “O que devemos fazer com ele”. A maioria das respostas sempre é a vencedora. Tudo ocorre secretamente, mas não é novidade para quem trabalha nos corredores dos presídios.

Agentes ficam desarmados à noite

“A novidade agora mesmo é que os bandidos estão afrontando o Estado, matando até na presença de policiais”, relata Cleiton, ao fazer outra grave denúncia: “à noite, a Secretaria de Justiça do Piauí está recolhendo as armas dos agentes penitenciários e entregando para os policiais militares fazerem o policiamento ostensivo. Os agentes estão ficando desarmados na Casa de Custódia, por exemplo”.

PortalAZ


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