Mundial de Clubes: campeão poderá ganhar mais de R$ 100 milhões imprimir publicado em: 03 / 05 / 2018

mundial de clubesO presidente da Fifa, Gianni Infantino, tem se encontrado com dirigentes de confederações e clubes para explicar a proposta de um grupo de investidores que pretende investir mais de R$ 85 bilhões em dois novos torneios: um de seleções, chamada de Liga das Nações, e um Mundial de Clubes turbinado com 24 equipes, com 12 da Europa e até cinco da América do Sul, realizado a cada quatro anos. E a principal arma de convencimento de Infantino é justamente dinheiro.

No caso do Mundial de Clubes, comparando o que ganha atualmente o time que vence o torneio que é realizado anualmente em dezembro, com sete times, a diferença é obscena. O blog apurou que o número apresentado a alguns clubes europeus é de que poderiam faturar até US$ 30 milhões (R$ 106 milhões) caso disputem e ganhem o novo torneio. O Real Madrid, que ganhou o Mundial no formato atual nos Emirados Árabes, em 2017, levou R$ 5 milhões (18 milhões). E Infantino tem dito que isso, ainda, é uma estimativa e a quantia pode ser maior.

Se é um número tentador a clubes europeus, imagine aos sul-americanos e, dentro desse mapa, os brasileiros. Significaria, por exemplo, mais da metade de tudo o que ganhou o Vasco (R$ 192 milhões) em 2017, e pouco mais de 15% de toda a receita do Flamengo (R$ 624 milhões), o clube brasileiro que mais faturou no ano passado.

Não é à toa, portanto, que os sul-americanos são favoráveis ao torneio, que pelo projeto seria realizado a partir de 2021, entre junho e julho, a cada quatro anos em sede fixa nas datas que até 2017 era disponíveis para a Copa das Confederações, torneio que pouco rendia à Fifa e que será extinto. A ideia é que haja oito grupos de três times, com o campeão de cada passando para as quartas, iniciando aí o mata-mata até a decisão. Os participantes seriam 12 europeus, quatro sul-americanos garantidos, dois da Concacaf, dois da África, dois da Ásia, o país-sede e, na última vaga, mais um sul-americano ou o campeão da Oceania, que decidiriam a classificação numa repescagem.

Os europeus, porém, torcem o nariz porque veem como mais um campeonato em um calendário inchado. Mesmo o valor alto de mais de R$ 100 milhões ao campeão ainda é inferior aos cerca de R$ 200 milhões que os times ganham se conquistarem a Liga dos Campeões da Europa, hoje o principal torneio de clubes do mundo. Há, na Uefa (União Europeia de Futebol), ideia de que esse Mundial mesmo quadrienal possa disputar patrocinadores com a Liga dos Campeões, tirando valor do torneio continental. Infantino tem se reunido com clubes justamente para mostrar que o efeito pode ser inverso: um Mundial forte, e rico, pode atrair mais competitividade e dinheiro à Liga dos Campeões. Atualmente os europeus tratam o Mundial jogado em dezembro, por exemplo, com desinteresse.

O chefe da Fifa já se encontrou com representantes do Bayern de Munique, do PSG e da Inter de Milão — chama a atenção, portanto, a ausência até agora de posicionamentos com clubes como Real Madrid e Barcelona, e da Premier League, a primeira divisão inglesa. A impressão é que ele planeja conseguir o máximo de apoio possível até chegar a essas outras equipes.

Como a Associated Press revelou, em carta de Infantino enviada à cartolagem europeia, ele citava que uma decisão sobre a Copa das Nações de Seleções, para ser jogada a cada dois anos e que pode distribuir incríveis US$ 75 milhões (R$ 266 milhões) a uma seleção europeia que ganhe o torneio, poderia ser adiada um pouco mais. O que mostra que, no momento, a prioridade é definir o quanto antes sobre o Mundial de Clubes.

Em reunião do Conselho (antigo Comitê Executivo) da Fifa, em março em Bogotá, na Colômbia, o tema foi colocado em pauta, mas acabou não aprovado. Além dos encontros que tem tido com a cartolagem, Infantino criou uma força-tarefa, composta pelos secretários-gerais das seis confederações, além de Fatma Samoura, secretária-geral da Fifa, para estudar o assunto. Para o Mundial de Clubes, o presidente gostaria de ter um aval já em junho, quando o Conselho se reúne em Moscou, às vésperas da Copa do Mundo (torneio, aliás, que não seria afetado com todas essas propostas).


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