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Saúde

01/12/2018 às 09h27

Redação

Teresina / PI

Remédios são responsáveis por 40% dos casos de intoxicação e envenenamento
Médica alerta que essa é uma prática problemática e pode ter graves consequências. Ela lembra que receitas são individualizadas.
 Remédios são responsáveis por 40% dos casos de intoxicação e envenenamento

A automedicação é uma prática muito comum no Brasil, e também bastante prejudicial à saúde. O Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox), da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz), mostra que os medicamentos são o maior fator de intoxicação e envenenamento, com 40% dos 39.521 casos ocorridos em 2016. O levantamento é feito com base nos últimos dados disponíveis, que são de 2016. 

A estudante Milleny Medina diz que costuma se automedicar, nos casos “mais simples”, como uma dor de cabeça, cólica ou febre que, segundo ela, os remédios para esses problemas não necessitam de receita médica. Além disso, ela opta pela automedicação por depender do sistema público de saúde. “É muito complicado conseguir consultas e, quando vou ao hospital por sintomas como esses, o médico acaba passando o mesmo remédio que eu já estava tomando antes de ir. Mesmo sabendo que não é aconselhável, às vezes é a solução mais rápida e disponível”, relata. 

Para a cardiologista Márcia Beatriz de Jesus Lima, a automedicação, principalmente para dores, é muito problemática. Quem é portador de doenças crônicas, por exemplo, e faz bastante uso de remédios anti-inflamatórios deve ter cuidado. Esses medicamentos tem muita repercussão na saúde, como insuficiência renal aguda, por exemplo. A médica estima que 50% dos seus pacientes se automediquem.

“Muitos pacientes se medicam com a indicação de um vizinho [por exemplo], sem entender que a medicação é prescrita com base na etnia, idade e se há outros problemas. Além disso, a receita é individualizada para o paciente”, diz. Márcia Beatriz afirma que, em caso de dores mais comuns e, de forma esporádica, pode ser feito o uso do medicamento. “O que não pode é a pessoa todo dia de sentir uma dor e não ir ao médico investigar as causas”, adverte.

 Uma questão que frequentemente volta a ser debatida, até mesmo no Congresso, diz respeito à comercialização de medicamentos isentos de prescrição (MIPs). Em maio deste ano, o presidente Michel Temer falou da possibilidade de liberar a venda de remédios dessa categoria nos supermercados. Essa é uma pauta de interesse dos empresários desses setores (farmacêutico e varejo), mas foi vista com desconfiança e vetada em 2012, pela então presidente Dilma Rousseff. Ela temia que a liberação indiscriminada desses medicamentos poderia levar a um aumento da automedicação.

40% dos brasileiros fazem autodiagnostico pela internet, aponta pesquisa

Outra prática comum é o autodiagnostico. Com a facilidade oferecida pelas pesquisas feitas com alguns cliques em buscadores na internet, não é raro ouvir de pessoas próximas o conselho para pesquisar no Google, ao aparecimento de um incômodo ou sintoma de doença. Um teste bem simples como pesquisar “o que pode ser dor de cabeça” já leva a várias palavras relacionadas e textos pouco confiáveis. 

Uma pesquisa do ICTQ, divulgado em agosto, mostra que 40% dos brasileiros fazem autodiagnostico médico pela internet. Segundo o levantamento, o autodiagnostico é mais comum entre os jovens, com escolaridade de nível superior e das classes A e B. O ICTQ avalia que esse perfil mostra que “o autodiagnostico não é um comportamento resultante apenas da precariedade da saúde pública e suplementar no País”, mas que também é “resultado de um estilo de vida cada vez mais digital”. 

Segundo a cardiologista Márcia Beatriz de Jesus Lima, em Teresina ainda não é tão comum o autodiagnostico e calcula que entre 15% e 20% dos seus pacientes tenham esse hábito, de forma preponderante os mais jovens. De acordo com a especialista, as pessoas mais velhas “são mais fiéis à consulta médica” e não confiam tanto nos resultados do “dr. Google”. 

No entanto, ela avalia, essa prática tende a crescer por aqui, sendo que já é bastante comum em grandes centros. “O que as pessoas precisam entender é que a internet dá a formação técnica e acadêmica que o curso de medicina oferece. Esse discernimento e a experiência do profissional a internet nunca vai dar. A sensibilidade do profissional faz a diferença. O que não pode é ler algo na internet e achar que a verdade é absoluta”, aconselha.

A estudante Milleny Medina fez pesquisas quando estava com dor de dente, mas os resultados foram tão negativos que ela não pretende fazer pesquisas na internet sobre o assunto novamente. “Eu não costumo fazer essas pesquisar com frequência, porque sei que na internet tudo se potencializa. Às vezes, você está sentindo algo que não é tão grave, mas acaba ficando impressionada com os resultados da pesquisa. Digo isso por experiência própria, de tentar saber algo sobre algum sintoma e ficar apavorada com o resultado, mas fui ao médico e descobri que era algo bem simples e fácil de tratar. Então como eu já não costumava fazer essas pesquisas depois dessa ocasião fiquei mais distante ainda da internet quando o assunto é saúde”, conclui.

FONTE: Portal O Dia

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