Ônibus de Teresina terão botão do pânico, após onda de assaltos imprimir publicado em: 01 / 12 / 2016

onibusOs ônibus que circulam pela capital piauiense serão equipados com botões do pânico a partir de janeiro de 2017. De acordo com o gerente geral do Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (Setut), Fábio Prado, no primeiro momento, o equipamento será instalado em 40% da frota. A medida é consequência da crescente violência dentro dos coletivos.

Teresina conta com 600 ônibus e em janeiro cerca de 240 deverão ser equipados com o botão do pânico. A expectativa é que até o mês de maio toda a frota operante esteja equipada.

“O botão do pânico é uma ferramenta que irá proporcionar maior segurança a todos através de um link direto e online com as polícias civil e militar, Corpo de Bombeiros, Strans, operadoras de ônibus e Setut. Em qualquer assalto, o botão é acionado e de forma imediata toda a estrutura será acionada para que possamos inteceptar esse ônibus A violência está crescento em todo o Brasil todo e o botão do pânico é uma tendência que temos observado em outras capitais. Todo mundo está buscando prevenir e minimizar os crimes. Os aparatos tecnológicos estão cada vez mais sendo usados”, destaca.

Ele conta que a implantação do botão do pânico integra a segunda fase do sistema de rastreamento que está sendo implementado dentro dos coletivos.

“Estamos concluindo agora a primeira fase e a segunda será fechada em janeiro. Hoje, por meio deste sistema, conseguimos monitorar em tempo real se o ônibus está cumprindo seu itinerário e a velocidade, por exemplo. Qualquer desvio de rota, somos acionados imediatamente. Qualquer comportamento imprevisto, o motorista e o cobrador são contatados e sabemos se está ocorrendo algum problema, inclusive assaltos”, destaca.

fabio pradoFábio Prado explica ainda que ao longo de todo o ano, o Setut investiu R$ 2 milhões em tecnologia para garantir mais segurança aos usuários e funcionários do transporte coletivo.

Segundo ele, 100% dos ônibus em Teresina são equipados com circuito de videomonitoramento e elenca ainda outras medidas como a instalação de cofres boca de lobo, cartões eletrônicos, câmeras do circuito interno, biometria facial.

“As câmeras hoje são muito mais modernas, com um nível de qualidade e resolução melhor. Em casos de assaltos, temos condições de fazer a identificação fidedigna do assaltante. Com os cofres boca de lobo e cartões eletrônicos, praticamente, não fica dinheiro com o cobrador. A grande preocupação do Setur e das 11 operadoras do sistema de transporte coletivo da Capital é a segurança e integridade física dos nossos passageiros e funcionários”, elenca o gerente geral do Setut.

Fábio Prado acrescenta que está sendo realizado um mapeamento para identificar o horário, local e linhas de ônibus com maior incidência de crimes, informações que subsidiarão a investigação policial.

Violência crescente dentro do transporte coletivo

violenciaTeresina tem em média 16 assaltos a ônibus por mês, ou seja, em média um assalto a cada dois dias. A informação foi repassada pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores Empresas de Transportes Rodoviários (Sintetro), Fernando Soares Santos, que contabiliza 146 ocorrências até o mês de setembro.

O último caso foi registrado na noite de ontem (30). No fim de semana passado, câmeras do circuito interno de um ônibus- que fazia linha Saci-Shopping –  registrou ação de criminosos.

“Eles agora não tem hora para agir e no período de fim de ano, as ocorrências aumentam. São três a quatro ocorrências diárias, nos mais variados pontos… os trabalhadores estão em polvorosa, trabalham com medo”, relata.

Na próxima semana, o Sintetro articula uma mobilização com paralisação do serviço. A categoria pretende protestar por segurança e também contra a exigência do pagamento do dinheiro roubado durante os assaltos.

“Quando o cobrador encerra no bairro, ele tem que se deslocar até a garagem, levando o dinheiro da  empresa para prestar contas. Só quando ele faz isso, é que acaba o trabalho dele. Os bandidos aproveitam que algumas empresas ficam mais afastadas e assaltam os trabalhadores no trajeto. Teve uma quadrilha que, em uma semana, assaltou uns dez. Além disso, levam motos dos trabalhadores e tudo o que encontram pela frente. Está um terror. A parte pior é o cobrador ter que pagar o assalto. Eles dizem que o trabalhador tem que ficar apenas com R$ 20, mas o dinheiro é insuficiente para passar troco. Não admitimos que o trabalhador pague pelo assalto, pague um dinheiro que foi roubado pela falta de proteção e não é obrigação sua”,explica.

Fernando Soares acredita que a intensificação de barreiras policiais podem minimizar a ação dos criminosos dentro dos ônibus, como tem ocorrido na zona Norte. Ele ressalta a atuação da Polícia Militar, mas diz que não há investigação por parte da Polícia Civil.

“Tem que investigar para colocar esses marginais atrás das grades e assim possamos ter tranquilidade”, desabafa.

Além da violência psicológica, cobradores e motoristas estão sujeitos à agressão fisíca. Neste ano, na região do Grande Dirceu, um cobrador foi esfaqueado na perna, mesmo sem reagir ao assalto.

“Pedimos as autoridades que façam alguma coisa, que investiguem e prendam antes que algum fato mais lamentável ocorra. É impossível que essas mesmas pessoas saiam assaltando e ninguém saiba quem é. Acredito que todos já têm passagem pela polícia”, finaliza o presidente da Sintetro.

Cidadeverde.com


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