Operadora da máfia do ingresso tem sócia brasileira já investigada imprimir publicado em: 12 / 08 / 2016

mafia dos ingressosA THG Sports, multinacional apontada como operadora da máfia do ingresso olímpico, possui uma sócia brasileira e registro comercial com endereço de um escritório de contabilidade em São Paulo. A gerente financeira da empresa, Julia Pinto de Castro, consta como sócia junto a holding que leva o nome do milionário britânico Marcus Evans, dono da THG.

Julia já foi investigada pela Polícia Civil no inquérito 176/14 posteriormente arquivado por ordem judicial–, que diz respeito a denúncias de irregularidades na venda de pacotes com serviços VIP para a Copa do Mundo de 2014.

A apuração policial indicava que Júlia e a Marcus Evans teriam lesado o presidente de uma fabricante de equipamentos industriais. A suposta vítima afirmou à Delegacia do Consumidor ter comprado um pacote com serviços VIP para o confronto entre Brasil e Chile, pelas oitavas de final do Mundial, em Belo Horizonte. Ela disse que se sentiu enganada porque o produto adquirido não incluía os ingressos para o jogo.

A polícia chegou apreender computadores e documentos na sede da THG a fim de investigar o crime de estelionato. Julia teria sido conduzida à delegacia de forma coercitiva para prestar esclarecimentos, de acordo com o despacho judicial. Posteriormente, as partes entraram em consenso quanto à devolução do dinheiro. Em julho de 2014, a Justiça deferiu habeas corpus arquivando o inquérito.

A executiva também é ré em ação cível por rescisão de contrato firmado entre a Marcus Evans e a Global Ar Comércio de Refrigeração Ltda. O objeto do acordo quebrado seria a instalação de ar-condicionado em camarotes e espaços de hospitalidade, há dois anos. O processo ainda está em curso. A última remessa dos autos ocorreu em fevereiro desse ano.

Na ficha da THG, o endereço apresentado é o da Demari Contabilidade, que fica no bairro Sapobemba, na zona leste da capital paulista. A reportagem do UOL entrou em contato com a firma, e o funcionário que atendeu o telefone informou que ela não presta serviços nem para a THG nem para a Marcus Evans há cerca de dois anos.

A firma britânica funcionava, na verdade, em outro endereço de São Paulo, de acordo com um ex-funcionário ouvido pelo UOL Esporte. O escritório ficava na Alameda Campinas, na região da avenida Paulista, onde Julia trabalhava. Em mensagens recebidas pelo ex-funcionário, à época de sua contratação, o edifício da Alameda Campinas é indicado na assinatura dos e-mails de Julia.

Gomes, que também defende a THG Sports, nega que a empresa tenha cometido os crimes apontados pela polícia. Segundo ele, “a THG é uma empresa global comprometida com os mais altos padrões éticos e profissionais, operando em plena conformidade com as leis e as regulamentações locais”.
Mudança para o Rio

Em 2015, a THG abriu um escritório no centro do Rio de Janeiro, onde um time de vendas começou a vender pacotes de hospitalidade e ingressos da Rio-2016.

Os vendedores abordavam empresários de alto poder aquisitivo com ofertas de pacotes que continham as entradas mais concorridas da Olimpíada, recepção com mesa exclusiva no hotel Copacabana Palace, um dos mais luxuosos da cidade, e encontros com astros olímpicos e ex-atletas badalados.

Máfia do ingresso

Na semana passada, uma operação da Polícia Civil do Rio para desarticular uma quadrilha que vendia ilegalmente bilhetes da Rio-2016 resultou na prisão de um dos diretores da THG, Kevin James Mallon, e na apreensão de 813 entradas. A subsidiária do holding Marcus Evans, que não tem autorização para revenda de ingressos, captava esses tíquetes de fontes credenciadas e as comercializava por valores muito acima dos originais. Muitos deles estavam nominalmente reservados ao Comitê Olímpico da Irlanda. O Nage (Núcleo de Apoio aos Grandes Eventos) está investigando de que forma o grupo atuava e se há outras pessoas físicas e/ou jurídicas envolvidas.

kevin mallon

uol.com


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