PM cumpre ordem de despejo em assentamento com 300 famílias imprimir publicado em: 22 / 02 / 2018

despejoA Polícia Militar acompanhou oficiais de justiça no cumprimento de uma ordem de despejo no assentamento Anselmo Dias II, na Zona Sudeste de Teresina, desde o início da manhã desta quinta-feira (22). Segundo a promotora de justiça Leida Diniz, que acompanhou a situação dos moradores, havia 300 famílias no local que não têm para onde ir. Um advogado dos moradores vai recorrer da decisão.

As famílias se organizaram e, de forma pacífica, deixaram o local desde as 7h de hoje. Muitos choraram e há moradores doentes que informam não terem condições de deixar os locais onde moravam. Os ocupantes informaram que estavam no no local havia pelo menos nove meses.

“Minha filha adoeceu há dois dias, tem apenas dois anos e teve alta ontem e eu cheguei em casa às 22h, sem comer, sem tomar banho, porque ela só quer ficar comigo. Vim embora com chuva. Hoje pela manhã ia voltar ao hospital, porque ela piorou na madrugada, quando estava me preparando, chegaram vários policiais e fiquei desesperada, não soube o que fazer. Não tenho nada e vou perder o pouco que tenho, estou sem ter o que fazer nem para onde ir. Não estava preparada”, declarou a dona de casa Francisca Rodrigues.

Segundo a coronel Júlia Beatriz, que comandou a ação da PM na retirada dos moradores, a ordem teve que ser cumprida hoje. “Estamos apenas dando apoio e a ordem terá que ser cumprida hoje”, disse a coronel.

A promotora Leida Diniz informou que a decisão judicial determinava a imediata saída das famílias do local. O terreno, segundo ela, seria de propriedade do governo do estado, que informou que o local é de propriedade privada. O suposto proprietário ainda não foi localizado para comentar a situação. A promotora disse que a defesa dos moradores irá pedir uma tentativa de conciliação.

despejo em teresina“O propósito é dar um prazo maior para as famílias se programarem enquanto o Ministério Público discute alguma possibilidade de deslocar essas famílias para outro lugar. O Juiz é livre para decidir, mas questionamos os efeitos. É muito sério despachar pessoas para locais que ainda não existem. Se forem despejados em um período de chuva, para onde vão as crianças? Há 15 com microcefalia, muitos idosos e a maioria está no mercado informal, ou seja, não têm salários certos para o mês. Se estão aqui é porque necessitam, não estão para expor famílias e crianças”, avaliou Leida Diniz.

Apesar disso, os moradores já retiram os pertences de dentro das casas, algumas de tijolos, outras de taipa e outros espaços ainda são apenas barrações. Alguns ocupantes retiram ainda materiais de construção que podem ser reaproveitados em outros lugares para onde as famílias podem ir, como telhas.

Segundo o líder do assentamento, Rafael Dias, o terreno está abandonado há mais de 40 anos e somente agora, depois de invadido, um grupo de empresários apareceu como donos e alega que as terras são propriedades do estado, que na localidade, seria construída uma Zona Industrial, mas nunca existiu.

“Nesse momento nós enfrentamos a terceira liminar expedida arbitrariamente pra um grupo de empresários que compraram a terra quando nós já estávamos há dois meses. Nós temos fortes indícios que comprovam que a terra é do estado. Então há especulação imobiliária. O terreno estava abandonado há aproximadamente 42 anos, depois foi cedido a esse grupo de empresários em termo de comodato que o governo do estado cedeu”, disse Rafael.

A dona de casa Maria Madalena Ferreira tem um filho de 3 anos autista e não sabe para onde ir. A mulher lamenta não ter auxílio de ninguém, inclusive, para realizar o seu despejo.

“Eu não tenho lugar nenhum pra ir, nem condições de me sair por que meu filho é pequeno e autista. Está aqui, mole, no meu colo”, falou a dona de casa.

A situação também não foi fácil para a família da Ana Paula Reis que mora no local há 9 meses e já teve boa parte da casa contruída junto com o marido e onde mora com três filhos de 1, 12 e 14 anos de idade.

” Não sabemos o que fazer. É um absurdo. A gente contruiu nossa casa com tanto suor e sacrifício pra acontecer uma coisa dessas, ter que derrubar a minha casa” disse Ana Paula entre lágrimas.

 

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