PT pede investigação à chapa de Aécio em 2014 por prática de caixa 2 imprimir publicado em: 23 / 12 / 2016

Os advogados da campanha de Dilma Rousseff pediram ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), na segunda-feira (19), que investigue as doações da Andrade Gutierrez para a candidatura do senador Aécio Neves (PSDB-MG) à presidência em 2014.

Aecio Neves

Senador Aécio Neves (PSDB)

A petição se baseia no depoimento que Otávio de Azevedo, ex-presidente da empreiteira, prestou ao TSE em novembro, no âmbito de ação movida pelo PSDB que julgará a cassação da chapa Dilma-Michel Temer por supostas irregularidades na campanha.

Nesse depoimento, Azevedo disse que, diferentemente do que havia informado, verificou seus recibos e viu que doou para a campanha de Aécio R$ 19 milhões, e não apenas R$ 12,6 milhões, como estava registrado na prestação de contas dos tucanos consultada por ele no site do TSE.

Foi também nesse depoimento que o executivo mudou sua versão e afirmou que, diferentemente do que havia dito antes, não repassou propina para a chapa Dilma-Temer na eleição de 2014 –o que poderia levar à cassação da chapa e, consequentemente, à perda do mandato de Temer.

“Dos R$ 33,2 milhões que doamos ao PSDB [nacional], R$ 19 milhões o partido transferiu para a campanha do Aécio. Não foram R$ 12,6”, disse Azevedo. Na verdade, o site do TSE registra R$ 12,7 milhões da Andrade para Aécio.

Na petição ao TSE, o PT classificou a retificação como um “fato de extrema gravidade que pode, em tese, determinar que as contas de Aécio sejam julgadas irregulares”, caso fique comprovado que o PSDB não declarou tudo o que recebeu da empreiteira.

“A Andrade Gutierrez teria doado um total de R$ 19 milhões, mas, no site do TSE, somente teriam sido lançados como receita R$ 12,6 milhões, o que significa uma elevada diferença de R$ 6,4 milhões que não se sabe para onde foram e como foram declarados”, apontou o PT ao TSE.

À Folha o PSDB confirmou que recebeu da Andrade os R$ 19 milhões, mas afirmou que só uma parte foi enviada diretamente para a campanha de Aécio. Outra parte foi pulverizada entre candidatos parceiros e, por fim, cerca de R$ 1,4 milhão ficou no caixa único do comitê, não sendo possível rastrear sua origem.

EXECUTIVO NA MIRA

Na última sexta (16), atendendo a pedido da defesa de Dilma, o vice-procurador-geral Eleitoral, Nicolao Dino, pediu à Procuradoria da República no Distrito Federal que apure a mudança de versão de Azevedo sobre a propina para a chapa Dilma-Temer.

Para o PT, Azevedo cometeu falso testemunho a fim de prejudicar o partido.

Dino pediu ainda que se investigue se o novo depoimento de Azevedo é compatível com sua delação premiada na Lava Jato –já que, para ter benefícios, ele não pode mentir.

OUTRO LADO

O PSDB afirmou que toda a receita advinda da Andrade Gutierrez foi declarada.

Segundo o partido, a direção nacional recebeu, ao longo de 2014, R$ 33,2 milhões da empreiteira. Desse total, a direção nacional transferiu R$ 19 milhões para o comitê de campanha de Aécio, que, por sua vez, repassou R$ 12,7 milhões diretamente para a candidatura do senador.

Outros R$ 4,9 milhões foram para candidatos parceiros (senadores, deputados, governadores) fazerem propaganda casada –por exemplo, santinhos em que figurassem ao lado de Aécio.

Pela regra, os gastos de um candidato que faz campanha para outro precisam aparecer também na prestação de contas do beneficiado, a título de “doação estimável em dinheiro”. Nem tudo o que foi repassado a parceiros de Aécio retornou a ele desse modo.

Sua campanha afirmou que o TSE permite que, em caso de materiais impressos, a despesa seja declarada somente por quem executou o gasto.

O R$ 1,4 milhão faltante para chegar aos R$ 19 milhões teria ficado no caixa do comitê para despesas variadas. Por se tratar de caixa único, informou o PSDB, não é possível rastrear a origem do dinheiro como sendo da Andrade –mas toda a receita foi declarado e é comprovável, disse.

“É evidente a litigância de má-fé do PT, razão pela qual pediremos à Justiça Eleitoral que o puna por suas condutas abusivas”, afirmou o PSDB.

Folha


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