Retranqueiro, que nada! Bauza quer manter estilo ofensivo da Argentina imprimir publicado em: 31 / 08 / 2016

argentinaApesar da maioria dos holofotes estarem direcionados para Messi, que voltará a vestir a camisa da seleção argentina depois de anunciar sua despedida, o duelo contra o Uruguai nesta quinta-feira também terá outro protagonista: Edgardo Bauza. É diante da Celeste, em casa, que o ex-comandante do São Paulo fará sua estreia à frente da equipe nacional, em meio à desconfiança pelo momento vivido não só pelo time, mas pela AFA, mergulhada em forte crise. E, pelo menos nos treinamentos anteriores ao confronto em Mendoza, Bauza mostrou estar disposto a abrir mão de um estilo que lhe rendeu algumas críticas: a fama de retranqueiro.

Embora esteja desfalcado de nomes de peso para o setor de criação da Argentina – o meia Pastore e o atacante Agüero -, o novo comandante hermano animou a torcida com os treinamentos da última terça-feira. Na atividade, em dois períodos, acenou que colocará em campo uma equipe com formação bem parecida com a do antecessor, Tata Martino: um 4-2-3-1, com quatro nomes de peso na frente – Messi, Dybala, Di María e Lucas Pratto. A tarefa de desconstrução no meio de campo ficaria a cargo apenas de Mascherano e Biglia, algo incomum na carreira de Bauza.

Zagueiro nos tempos em que atuava dentro das quatro linhas, Bauza hoje sofre com críticas por um estilo defensivo – que surgiram principalmente no São Paulo e causam temor na torcida argentina, que gosta de ver sua seleção jogar com garra, mas ao ataque. No passado, esse jeito mais cauteloso, na verdade, foi seu trunfo e trouxe as principais conquistas de seu currículo, que o projetaram para estar no comando de Messi e companhia hoje.

Na conquista do título inédito da Taça Libertadores com o San Lorenzo, em 2014, Bauza montou uma equipe versátil, que tinha como pilar um meio de campo combativo e, ao mesmo tempo criativo, com nomes como Buffarini e Romagnoli. Naquela campanha, levou mais de um gol em apenas um dos 14 jogos: o primeiro, na fase de grupos, contra o Botafogo (2 a 0). Seis anos antes, na LDU, roubou a cena apostando em um 3-6-1 com grande força de contra-ataque pelas laterais do campo, com Guerrón e Bolaños. Aquele time passou pelo San Lorenzo nas quartas de final em disputa de pênaltis, superou o América do México na semifinal pelo gol marcado fora de casa e conquistou o título nas penalidades máximas diante do Fluminense.

– Na verdade, me importa um ovo que me chamem de defensivo. Sei perfeitamente quais as virtudes e limitações que temos. Que alguém nos encaixe em seu gosto futebolístico não me interessa, enquanto sigamos chegando, superando os rivais e tendo situações de gol. O futebol não é só atacar. E os times que não sabem defender não podem ganhar nada – disse Bauza ao ser questionado sobre sua fama, em entrevista ao “Olé”, em maio de 2015, quando ainda estava no clube de Almagro.

escalacao

Entretanto, ao chegar quase que de paraquedas na seleção argentina – depois de um pedido de demissão de Tata Martino às vésperas da Olimpíada do Rio -, Bauza deve iniciar sua trajetória na equipe de forma cautelosa. A formação projetada para o confronto contra o Uruguai é ainda mais ousada que aquela usada no vice-campeonato da Copa América Centenário, que tinha, além de Mascherano, Banega fortalecendo o meio de campo, com Augusto Fernández e Biglia se alternando.

– Não é uma surpresa. Com a convocação que fez, ficou claro que não queria fazer mudanças bruscas no time. Não teria tempo, sem amistosos para testar outros esquemas de jogo – avaliou Juan Pablo Méndez, do jornal “Olé”.

globoesporte.com


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