Sem segurança, comerciantes pagam até R$ 2 mil a PMs no Piauí imprimir publicado em: 06 / 08 / 2014

Após dois meses do fechamento da única agência bancária de São Miguel do Tapuio, no Norte do Piauí, a quantidade de dinheiro circulando na cidade ficou limitado e os comércios viraram alvo dos bandidos, especialmente por terem caixas eletrônicos nos estabelecimentos. Assustados com a violência, os comerciantes se uniram e resolveram pagar policiais militares para garantir a segurança.

sao miguelO grupo de doadores somam 55 pessoas, as contribuições variam de R$ 30 a R$ 100 e o valor total arrecado chega, em média, a R$ 2 mil. O dinheiro vai para estadia e alimentação dos policiais militares da Força Tática, que vem de Campo Maior, e trabalham nos dias de folga. “Não é uma obrigação nossa, mas devido a situação que está a segurança pública, nós decidimos tomar esta atitude para não ficarmos a mercê dos bandidos”, explicou o comerciante Cleiton Martins.

O problema começou no dia 28 de maio deste ano, quando o Banco do Brasil da cidade foi alvo de assaltantes. Depois disso, a agência nunca mais funcionou regulamente, sendo que a quantidade de dinheiro liberada pelo banco é limitada. Sem dinheiro, as vendas caíram 70% e os moradores recorrem aos pontos comerciais onde há caixas eletrônicos.

O município de São Miguel do Tapuio tem 19 mil habitantes e fica na divida do Piauí com Ceará, o que facilita a ação e a fuga dos bandidos. O clima é de insegurança na região.

Assaltado 10 vezes, o empresário Francisco Neto lamentou a situação de insegurança e contou sobre que a última ocorrência aconteceu dentro da sua residência. “Entrar na minha casa hoje é uma das piores sensações que existe. Vivo agora gradeado, é muito triste”, comentou.

Há três meses os aposentados não conseguem sacar o dinheiro da Previdência Social, muitos moradores procuram outras cidades para realizar transações bancárias e evitar as filas. “Tudo morrendo de fome, compro as coisas fiado para escapar”, lamentou o aposentado Francisco José Filho,

Os servidores públicos também têm dificuldade para receber o salário. “Nós professores estamos indo para Valença, Pimeteiras correndo risco de serem assaltos no caminho. Quando vem para a agência da cidade, esperamos até três horas para ser atendido e quando dá Às 10h, já tem dinheiro no caixa”, contou Francisco Almeida.

O chefe de gabinete de São Miguel do Tapuio, Gilmar Marques, disse ter acionado a assessoria jurídica para que ela estude uma possibilidade legal de a prefeitura fazer um repasse de R$ 2.450 para ajudar no pagamento dos policiais. Ele ressaltou ainda que a cidade conta com nove policiais militares, mas que esse efetivo não é suficiente.

O comandante da Polícia Militar, coronel Lídio Filho, responsabilizou o Banco do Brasil pela falta de segurança nas agências e elogiou a atitude dos comerciantes de São Miguel do Tapuio. “A população está certa e tem todo o meu apoio. O que nos entristece é um banco, uma instituição tão rica, não cuidar da sua segurança. A Polícia Militar do Piauí não pode trabalhar só para o banco, e ele não ajuda em nada. A vigilância do Banco do Brasil é feita por uma empresa no Ceará e eles querem que a PM faça a segurança. E a população como fica?”, declarou.

O Banco do Brasil informou que cumpre a legislação e as normas de segurança privada, tendo inclusive os planos de segurança das suas agências homologadas pela Polícia Federal.

Portaldaclube


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