Vakeira Funk diz que aguentou agressões para proteger os filhos imprimir publicado em: 05 / 07 / 2018

vaqueiraA cantora Gleyce Mendes, que tem o nome artístico de Vakeira Funk, realizou nesta quinta-feira (5) uma coletiva para tratar sobre o vídeo que foi divulgado na mídia, que mostra ela sendo agredida pelo ex-marido Marcelo Francisco Pereira. Mãe de três crianças, ela afirmou que mesmo sendo agredida, mantinha o relacionamento com Marcelo, porque ele ameaçava ir atrás dos seus filhos. No dia 30 de maio ela denunciou o acusado e se separou dele.

Na coletiva Gleyce relatou que foram cinco anos de agressões, e que em uma delas, ficou com o rosto deformado e chegou a ficar presa dentro de casa por três dias. Ela tem dois filhos de 9 e 6 anos, de um relacionamento anterior, e outro de 4 anos que teve com o acusado.

Muito emocionada, Gleyce explicou que o sonho de ser cantora fez ela se aproximar de Marcelo. Ele era sócio da banda Amor Bandido, o que fez ela se mudar para Elesbão Veloso. “Um tempo depois que entrei na banda, a gente começou a se relacionar. Passamos um ano bem, mas no segundo ano, a partir do momento que engravidei, foi quando eu comecei a ver quem estava ao meu lado. Na primeira agressão eu estava grávida de seis meses. Desde então vieram agressões verbais e físicas. Passei quatro anos aguentando sozinha, tentando proteger a minha família, porque sempre que eu ameaçava ir embora, ele ameaçava os meus filhos, então eu sempre pensava em proteger eles, por isso eu nunca denunciei”, afirmou.

A cantora afirmou que o medo e a necessidade de proteger os filhos, a fez perder a coragem de denunciar. “Eu pensei sempre primeiro neles [nos filhos]. Eu tenho mais dois filhos do antigo relacionamento e uma filha com ele. Então eu já morria de medo, só de pensar que ele faria alguma coisa com eles, com a minha família, que é tudo de mais importante que eu tenho. Por isso eu vivia acuada, amedrontada, vivia longe da minha mãe, na cidade que eu morava não tinha quem me apoiasse”, explicou.

Quando a banda acabou passando para outra pessoa, que passou a investir em Gleyce como cantora, isso fez com que a sua família se mudasse para Teresina. Ela reconhece que a mudança e o fato de receber apoio de várias pessoas, ganhando até mais independência, fez com ela começasse a enfrentar o marido. Ao mesmo tempo, as agressões pioraram.

“Depois desses quatro anos, apareceu uma pessoa que queria investir na banda e a partir daí a minha vida começou a mudar, pois viemos para Teresina. Essa pessoa e sua equipe nos ajudam muito. Foi quem criou a Vankeira Funk. Só que isso não impediu ele de me maltratar. Ele era muito ciumento, tinha certa inveja de me ver progredindo, de me ver crescendo, de ver pessoas se importando comigo, que se preocupavam comigo, me ajudando, dando força. A partir desse apoio foi que eu comecei a criar coragem. Quando ele me mandava calar a boca, eu já não calava. Tinha coragem de dar a minha opinião, de me impor”, relata.

Gleyce Mendes e seu advogado

Gleyce Mendes e seu advogado

Apenas a mãe da cantora sabia das agressões, mas ela também era ameaçada. “A minha mãe sabia, porque ela sempre foi o meu alicerce, então eu tentava poupar um pouco ela das coisas que aconteciam, para ela não ficar triste e para não sofrer. Ele ligava para ela e dizia para ela se preparar para receber o meu corpo, pois iria me matar. Então não era só eu que estava sofrendo. Minha mãe sofreu, minha família também. Também algumas vezes entrei na casa dela machucada, e ela sabia o porquê”, afirmou.

As agressões verbais e físicas

“Ele não queria que eu falasse com os companheiros da banda. Ele não era uma pessoa que chegava para me ajudar. Ele só chegava para me criticar. Fazia críticas destrutivas. Chegava ao ponto que psicologicamente, eu não tinha coragem de fazer nada. Tinha medo de chegar em casa e do que ia acontecer”, afirmou.

Ela ainda contou a pior agressão que sofreu. “A pior vez que isso aconteceu, eu estava combinando uns projetos para fazer um show e ele viu que eu estava conversando normalmente com uma pessoa no celular. Na hora ele não falou anda. Depois ele me levou para um lugar deserto e me espancou. Eu estava com a minha filha no colo e ele veio com tudo. Eu fiquei deformada, com o olho inchado. Aí ele me levou pra casa e me trancou por três dias em casa. Sem eu poder sair, para ninguém ver o estado que eu estava”, contou.

Proteção dos filhos

“Ele sempre ameaçava meus filhos, falava inclusive que eu não precisava nem denunciar ele, que se eu deixasse ele, iria me perseguir e a primeira coisa que iria fazer seria ir atrás deles. Ele sabia que meu ponto fraco era meus filhos, então ele ia direto neles. Eu pensava que daquela forma eu estava protegendo os meu filhos. Preferia eu sofrendo, do que eles. Isso era o que eu achava, mas eu achava errado, porque o melhor é falar, denunciar, buscar proteção, socorro, ajuda, ninguém merece ou precisa passar por isso”, afirmou.

Medidas protetivas

vaqueiraO caso da cantora está em segredo de justiça e ela revelou apenas que possuem medidas protetivas garantidas pela justiça, para que o agressor não se aproxime dela. “Não está sendo fácil para mim, me colocando em uma situação dessa. Tenho medidas protetivas, todo o apoio. Quero agradecer as mulheres ativistas que participaram da minha campanha, que estão do meu lado, que ficaram dispostas a me ajudar e estão me dando muita força para encarar tudo isso que está acontecendo. Quando esse vídeo saiu, eu não sabia de nada, tanto que já fazia uns 20 dias que tinha acontecido e eu estava me resguardando muito, pelo fato de ter três filhos pequenos que não iriam entender o que aconteceu”, explicou.

Ela afirmou que todo o acontecido fez com que acontecesse uma pausa na sua carreira, mas que está iniciando uma campanha para ajudar as mulheres que passam pela mesma situação. “Lancei um clipe, juntamente com uma campanha, porque durante muito tempo eu não tinha com quem contar. A campanha foi lançada para as pessoas que não tinham forças como eu. Para que elas não escondam, não passem por isso como eu. Eu achava que nunca iria sair dali, que eu iria morrer. A palavra de Deus diz que a gente tem livre arbítrio e ser humano nenhum tem o direito de tirar a sua vida, a sua liberdade. Muito menos homens machistas que não valorizam as mulheres, que são as que merecem mais valor. Eu esperei mais de 5 anos para ele mudar, e ele só mudava para pior”, finalizou.

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