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28/04/2019 às 09h16

Redação

Teresina / PI

Fernanda de Freitas: 'Sou mulher barata, não me importo com nada'
Ontem mesmo lá nos bastidores da novela, eu falei: “Gente, eu sou uma mulher barata! Não me importo com nada!”.
Fernanda de Freitas: 'Sou mulher barata, não me importo com nada'

De calça rasgada, regata e sapato plataforma, Fernanda de Freitas chega ao hotel Les Jardins de Rio, no Cosme Velho, acompanhada do marido, Simão Filippe, e da mãe, Rosângela. A roupa é a mesma que usa para ir aos Estúdios Globo gravar “O sétimo guardião”, quase diariamente.

— Vou com o mesmo jeans, esta blusa, este relógio e estes dois brincos sempre. Não saem daqui (risos) — aponta para o próprio corpo.

Em cinco minutos de entrevista, surpreende-se com a visita de macacos-prego à janela do quarto (“Que coisa mais linda, gente! Vida é isso: natureza”). No meio artístico, ninguém mais coerente em atitudes sustentáveis e discursos sobre meio ambiente. Por isso, a paulista de São José do Rio Preto exibe, neste ensaio de moda, vestidos desenhados pela mulher que a trouxe ao mundo e a ensinou como viver sustentavelmente.

— Minha avó fazia todos os próprios vestidos e fez com que as filhas aprendessem a costurar. Não é? — pergunta a Rosângela, e continua: — Era minha mãe quem fazia minhas fantasias do balé. Eu danço desde os 8, e todo ano tinha mais ou menos sete apresentações. Ela fazia as minhas e as das minhas amigas. Até hoje, sempre que tenho algum evento importante tento ver com ela se dá para fazer alguma coisa. Durante um tempo, ficou difícil conseguirmos conciliar por conta da distância. Mas, mesmo assim, não sou de comprar roupas caríssimas. Não tenho joias, não sou ligada em sapato, não gasto dinheiro com bolsa de grife. Compro as coisinhas que tem na rua, lá na frente de casa. Ontem mesmo lá nos bastidores da novela, eu falei: “Gente, eu sou uma mulher barata! Não me importo com nada!”.

Já Rosângela é perfeccionista. Os leitores interessados em adquirir peças confeccionadas pela mãe da atriz podem desistir. A mineira afirma que, devido a uma forte autocobrança, não pensa em comercializar seu talento e não liga de produzir pouco. É assim desde que Fernanda saiu de São José do Rio Preto (SP), 20 anos atrás, perseguindo uma alternativa ao sonho de ser paquita.

— Eu tinha fixação nisso. Chorei loucamente quando acabou a oportunidade. No ano da última geração de paquitas, eles anunciaram que as meninas tinham que ter no máximo 15 anos. Eu já tinha 17. Pensei: “Acabou”. Sabia que paquita eu não ia ser mais. Dois anos depois, veio a chance de ser Garota do Zodíaco: as garotas podiam ser mais velhas, e isso ajudava a não ter problema com o Juizado de Menores. Era a minha chance. Aí meu objetivo se tornou fazer parte do “Planeta Xuxa” (1997 a 2000) — relembra a paulista.

Fernanda foi contratada como assistente de palco da Xuxa no programa aos 20 anos. Lá ela era a representante do signo de Peixes e, quando não estava em frente às câmeras, tinha aulas de etiqueta e de teatro. Era essa a realidade que buscava desde a adolescência, quando chegou a arrumar as malas e viajar para o Rio sem o consentimento do pai, o engenheiro João Augusto Sahdo.

— Chegou um momento em que falei: “Não! Minha vida não vai ser aqui no interior”. Meu pai chegou em casa e ficou danado comigo, pediu para a tia que morava no Rio não me ajudar. Eu tinha pedido demissão do trabalho (a atriz era professora de balé). Fiquei aqui uma semana e na seguinte voltei para casa porque não tinha como me sustentar. Estava achando que ia viver de vento (risos)?

Naquela época, o balé não foi uma opção de ganha-pão na Cidade Maravilhosa. Fernanda já começava a focar nas aulas de teatro. Provavelmente, sem imaginar que 20 anos depois estaria numa novela das nove. Agora, ela interpreta a vilã Louise Marie na trama de Aguinaldo Silva, que na última semana virou notícia por ser uma das personagens envolvidas no trisal com Laura e Sampaio, interpretados por Yanna Lavigne e Marcello Novaes. Antes, a figura já tinha causado rebuliço por aceitar agressões do amado.

— Ele a fere de diversas maneiras, psicologicamente. E, no sexo, chegou a apertar o pescoço dela. Sampaio rasga as roupas de Louise... É o jeito como sentem tesão. Não enxergo como violência. É a sexualidade deles — defende.

Fora da ficção, a vida afetiva de Fernanda é convencional sem ser careta. A artista é casada com o dono da ONG Route, Simão, de quem fala apaixonadamente e se diverte ao perceber que o parceiro também trabalhou durante este ensaio de moda como fotógrafo, visagista e até assistente de produção.

— Ele é multifuncional, né, amor (risos)? Como namoridos, estamos juntos há quase dois anos — afirma, enfatizando que os dois dividem o amor familiar com os cães Zeca e Quiquinho e não têm previsão de ter filhos no momento: — Nunca tive o sonho de ser mãe nem estou tendo agora. Se um dia bater uma vontade grande, a adoção é um caminho.

Com Simão, Fernanda compartilha o sonho de fazer crescer uma outra filha, a ONG ambientalista:

— Sempre tive preocupação com o meio ambiente. Fui criada em fazenda, minha família tinha a consciência do não desperdício. Mas, depois que conheci Simão, essa proatividade para a causa aumentou e, há dois anos, eu me tornei embaixadora da ONG. Ela propõe uma rota de soluções para os problemas que o nosso consumo gera num meio natural. O ser humano polui e faz mal ao meio ambiente só pelo fato de existir. Alguns dos nossos carros-chefes são limpezas de praias, rios e lagoas. Nós dois também fazemos parte de um grupo na internet liderado por Mateus Solano, o Mudar Para Preservar, em que também estão Maitê Proença, empresários interessados na causa, a Fe Cortez, do coletivo Menos Um Lixo, outros artistas... Acreditamos que é importante a transformação individual, mas os resultados são muito maiores se as ações são em conjunto.

Deixar a natureza agir é um pensamento que a atriz leva para os cuidados consigo mesma. Bailarina e esportista desde a infância, Fernanda tem o rosto juvenil e aparenta ter menos de 39 anos. A atriz, no entanto, enfatiza que não se incomoda se os efeitos do tempo se tornarem aparentes na sua expressão:

— Pensar que os 40 vêm em breve não me amedronta. O que assusta é ver que o tempo passa rápido. Nunca fiz intervenção. Sou virgem de tudo. A única coisa que não é minha é um dente que quebrei com 9 anos e tive que botar um negócio. Não vou à dermatologista. Meu bigode chinês está virando um bigode russo! Será que é maior? As linhas de expressão que tenho não me incomodam — afirma a artista, relatando que vivencia uma pressão para fazer uso de intervenções: — Às vezes, as pessoas chegam em mim me dando um cartão: “Vai fazer esse bigode chinês agora! Tem botox pra isso!”. Eu sei que tem, mas deixa o meu aqui. Não sou contra nada. Mas não estou angustiada. Acho que as pessoas têm que ser feliz. Está triste? Vai fazer! Eu não estou. Olho o espelho, me vejo rindo com pés de galinha, e ok. Vou ficar gastando dinheiro? Depois tem que fazer todo ano porque o botox acaba em meses. Daqui a pouco, perco a mão e estou com uma cara que não é minha. Por enquanto, estou suportando, tanto a minha cara quanto a pressão externa.

Se Fernanda sente esse efeito na vida pessoal, imagina o que constata ao acompanhar o que acontece com outras famosas, como a amiga Xuxa, que recentemente foi atacada nas redes sociais por querer envelhecer sem plásticas:

— Acho que ela está maravilhosa. E gente, é isso: a sociedade é machista. Ponto. A mulher é sempre “piranha, filha da puta, velha, feia”. Vivemos essa realidade de julgamento há muitos anos, só que agora isso está sendo questionado. Estamos acordando. Já era tarde!


FONTE: Extra

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